Anvisa avisou estados sobre “erros de imunização” contra a dengue
Ofício circular encaminhado aos estados tinha nota técnica que alertava contra erros que pudessem causar “ocorrências médicas indesejadas”
Ofício circular encaminhado aos estados tinha nota técnica que alertava contra erros que pudessem causar “ocorrências médicas indesejadas”
Nesta segunda-feira (8/6), o Ministério da Saúde suspendeu a vacinação contra a dengue com o imunizante do Butantan após duas mortes suspeitas serem registradas. Entre as 500 mil pessoas já vacinadas desde fevereiro deste ano, foram registrados 42 casos de reações adversas severas. Desses, três foram classificados como graves, incluindo as duas mortes que estão sob investigação.
No alerta emitido aos estados em março, a Anvisa encaminhou nota técnica elaborada em fevereiro deste ano. O órgão ressaltou a importância de o documento ser distribuído aos municípios e “levado em consideração para eventuais ações investigativas e fiscalizatórias” sobre erros de imunização.
A nota descreve uma série de erros que podem acontecer durante o esquema de imunização e aponta as condutas necessárias para evitar riscos ao paciente, que são classificados como “Evento Supostamente Atribuível à Vacinação ou Imunização (Esavi)”.
Os casos das pessoas que morreram, e que causaram a suspensão da vacinação com o imunizante brasileiro, foram classificados como sinais de alerta por apresentarem quadros clínicos severos e incomuns, que não tinham sido verificados nas fases de estudo da vacina.
Entenda os casos
Caso 1: mulher de 39 anos (alta hospitalar) – o primeiro caso envolveu uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. O quadro evoluiu para sintomas compatíveis com dengue grave, incluindo choque, o que exigiu internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após o tratamento, a paciente recebeu alta hospitalar.
Caso 2: mulher de 48 anos (morte investigada) – o segundo caso ocorreu com uma mulher de 48 anos. Dezenove dias após a vacinação, ela desenvolveu sintomas de dengue grave associados a um comprometimento neurológico, diagnosticado como meningoencefalite. O quadro teve evolução desfavorável e resultou em morte. De acordo com o Ministério da Saúde, as investigações ainda não permitem estabelecer relação causal entre a vacinação e o óbito.
Caso 3: homem de 58 anos (morte investigada) – o terceiro caso foi registrado em um homem de 58 anos. Cinco dias após receber a vacina, ele iniciou quadro febril que evoluiu rapidamente para sintomas de dengue grave, com choque refratário. Apesar do atendimento médico, o paciente morreu.
Foto: Fábio Marchetto / SES
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