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PF investiga morte de jovem de Rondônia na Croácia

Jovem de Ji-Paraná foi encontrada morta em hotel em Zagreb após promessa de emprego. Família busca respostas e laudos toxicológicos complementares

📷 Redes Sociais
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A Polícia Federal (PF) investiga a morte de Kathlyn Izabel Becker (28 anos), moradora de Ji-Paraná, no interior de Rondônia, encontrada sem vida em um hotel em Zagreb, na Croácia, em agosto. A intervenção da corporação ocorre após a família solicitar auxílio devido a circunstâncias inexplicadas da viagem e laudos que apontam a causa da morte como indeterminada.

Promessa de emprego e o desaparecimento da acompanhante

A trajetória da jovem rondoniense começou com uma promessa de trabalho na Sérvia. O objetivo era juntar recursos para custear o tratamento do pai, que sofre de osteomielite. Ao chegar ao país, no entanto, Kathlyn descobriu que a vaga já havia sido preenchida e foi levada para a Croácia por pessoas ainda não identificadas.

A mãe da vítima, Geruza Becker, relatou o desespero da família ao perder o contato com a filha.

No dia 26, começamos o alerta, porque desde domingo, dia 23, a Kathlyn não estava mais online. Aí bateu o desespero. Na quarta-feira, 26, a gente já estava totalmente desesperado“, afirmou Geruza Becker.

A família foi informada do óbito pela Embaixada do Brasil na Croácia no dia 27 de agosto. Outro ponto que gera suspeitas é a presença de uma acompanhante que viajou com Kathlyn sob a mesma oferta de trabalho. Desde a morte da rondoniense, os parentes perderam totalmente o contato com essa pessoa.

Laudos inconclusivos e a barreira do tempo

A busca pela verdade esbarra em obstáculos forenses. A certidão de óbito emitida em Zagreb classificou a causa da morte como desconhecida. O corpo chegou a Porto Velho, em Rondônia, no dia 13 de setembro, onde passou por um novo exame necroscópico no Instituto Médico Legal (IML), solicitado pela PF.

O Departamento de Perícia Oficial da Polícia Civil confirmou que o reexame também apontou causa “indeterminada”. A análise foi dificultada pelo tempo decorrido desde a morte, superior a 20 dias, e pelo fato de o corpo já ter sido submetido a uma necropsia no exterior e a dois processos de embalsamamento, na Croácia e em São Paulo.

Material biológico foi coletado e enviado à Polícia Técnico-Científica (Politec) para exames toxicológicos complementares, cujos resultados são aguardados com ansiedade pela PF.

O vácuo jurídico e a busca por representação

Enquanto aguarda os laudos, a família enfrenta um labirinto burocrático para acessar o inquérito policial na Croácia. A Embaixada do Brasil não possui poder de atuação criminal, limitando-se à assistência consular.

O advogado da família, Joaci Ferreira da Silva, que atua de forma voluntária, acionou a Defensoria Pública da União (DPU) solicitando assistência jurídica internacional. O pedido argumenta que a família não possui recursos financeiros para contratar um representante legal na Europa. A solicitação segue em análise pelo órgão.

A morte de Kathlyn Izabel Becker transcende a tragédia familiar e ilumina uma falha sistêmica na proteção de cidadãos brasileiros que buscam oportunidades no exterior. A combinação de ofertas de emprego obscuras, a perda de contato com acompanhantes e a lentidão de investigações internacionais cria um cenário de vulnerabilidade extrema.

Quando a burocracia consular encontra os limites de sua atuação e a ciência forense é comprometida pelo tempo, a verdade dos fatos corre o risco de se perder no silêncio das jurisdições estrangeiras. Resta saber se os mecanismos de cooperação jurídica internacional serão ágeis o suficiente para oferecer à família em Rondônia as respostas que o luto exige, ou se o caso se tornará mais uma estatística indeterminada nos arquivos da diplomacia.

Versão em áudio disponível no topo do post.

Autor: | Fonte: painelpolitico.com

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