Do empate técnico à vitória folgada: o que as pesquisas erraram sobre o Senado em RO
Comparação entre seis pesquisas divulgadas ao longo da campanha e o resultado oficial do TSE mostra que o levantamento mais recente foi o que mais se aproximou

O resultado oficial do primeiro turno confirmou Dr. Fernando Máximo (PL) e Bruno Scheid (PL) como os dois senadores eleitos por Rondônia, com 31,86% e 26,41% dos votos válidos, respectivamente, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a totalidade das urnas apuradas. Levantamento do Painel Político com as pesquisas divulgadas durante a campanha mostra que o cenário final só começou a se desenhar com clareza na última rodada antes da votação.
O que mostram as pesquisas ao longo da campanha
Desde março, ao menos quatro institutos divulgaram pesquisas para o Senado em Rondônia, cada um com metodologia própria e distância diferente até a eleição:
– Veritá (13 a 19 de março): Bruno Scheid aparecia na liderança, com 27,9%, contra 17,5% de Fernando Máximo. Sílvia Cristina (PP) tinha 6,7% e Mariana Carvalho (Republicanos), 5,1%.
– Instituto Brasil Dados (7 a 10 de junho): Sílvia Cristina assumia a ponta, com 19%, à frente de Fernando Máximo, com 18%. Scheid e Mariana Carvalho apareciam empatados, com 8% cada.
– Quaest (rodada de agosto, data exata não especificada pela fonte consultada): Fernando Máximo tinha 17%, seguido por Sílvia Cristina e Bruno Scheid, empatados com 11% cada, e Mariana Carvalho, com 10%.
– Quaest (20 a 23 de setembro): Fernando Máximo com 18%, Sílvia Cristina com 16%, Mariana Carvalho com 11% e Bruno Scheid com apenas 8%.
– Real Time Big Data (25 a 29 de setembro): Fernando Máximo ampliava a dianteira, com 22%, Sílvia Cristina tinha 17%, e Scheid e Mariana Carvalho empatavam com 14% cada.
– Quaest (véspera da eleição, 3 de outubro): Fernando Máximo disparava para 28%, Bruno Scheid saltava para 23% e Sílvia Cristina aparecia com 21%.
Quem mais chegou perto do resultado oficial
Comparando cada levantamento ao resultado final (31,86% para Máximo, 26,41% para Scheid, 17,14% para Sílvia Cristina e 11,81% para Mariana Carvalho), a pesquisa Quaest da véspera foi a que menos errou entre as seis: a diferença média entre os três primeiros colocados ficou em torno de 3,7 pontos percentuais — contra uma diferença média acima de 7 pontos nas rodadas anteriores.
Isoladamente, porém, dois acertos pontuais chamam atenção: a pesquisa da Veritá, em março, projetou Bruno Scheid com 27,9%, a apenas 1,5 ponto do resultado final (26,41%) — mas errou grosseiramente a posição de Fernando Máximo. Já a pesquisa Real Time Big Data, de 29 de setembro, cravou Sílvia Cristina praticamente no resultado exato (17% projetado contra 17,14% real).
Nenhuma pesquisa, isoladamente, previu a escalada de Bruno Scheid, que saltou de 8% no fim de setembro para 26,41% nos votos — a maior guinada de todo o ciclo eleitoral.

Contexto e antecedentes
A disputa pelas duas vagas de Rondônia reuniu dez candidatos, mas a corrida real se concentrou em quatro nomes — Fernando Máximo, Bruno Scheid, Sílvia Cristina e Mariana Carvalho —, refletindo o fenômeno observado em eleições de voto duplo para o Senado, em que os institutos frequentemente registram parcela alta de indecisos (a Quaest, por exemplo, registrou 76% de indecisos na pesquisa espontânea de setembro). Esse formato tende a ampliar a distância entre pesquisas e resultado final até os dias finais de campanha, quando o eleitor efetivamente define o segundo nome do seu voto.
A diferença entre a pesquisa de 29 de setembro e a da véspera da eleição — um salto de 9 pontos para Bruno Scheid em menos de uma semana — ilustra como, em disputas de dois votos por cadeira, a decisão final do eleitorado rondoniense se consolida nos últimos dias, tornando pesquisas feitas com mais de duas semanas de antecedência pouco confiáveis para prever o resultado de cada candidato isoladamente.
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Autor: | Fonte: painelpolitico.com
