Marcos Rogério mira retorno de policiais cedidos; Gazola pode assumir a Sesau; e bloco governista busca ampliar maioria na Assembleia
A íntegra da coluna redigida por Herbert Lins
Senado mais conservador: as urnas de 2026 redesenham o mapa do poder em Brasília
CARO LEITOR, os resultados das urnas no primeiro turno deram ao Partido Liberal (PL) a maior bancada de um único partido desde a Constituinte de 1988. O avanço fortaleceu o bolsonarismo no Congresso Nacional e levou o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a prometer mudanças na Constituição. Mas o que as urnas realmente revelam sobre o novo Parlamento? A direita cresceu, sobretudo dentro do próprio campo ideológico, sem alterar radicalmente a divisão dos grandes blocos políticos. No Senado, porém, a mudança é mais perceptível, com reflexos sobre a correlação de forças e as pautas em disputa. O resultado exige cautela nas interpretações: ampliar bancadas não significa ter maioria automática para reformar a Carta Magna. Entre o discurso eleitoral e a realidade legislativa, há negociações, interesses regionais e limites constitucionais. A onda conservadora merece análise para além das aparências.
Senado
A partir de 1º de fevereiro de 2027, o Senado Federal terá nova composição partidária, definida pelas urnas de 2026 e pelos mandatos vigentes. O resultado aponta para uma Casa Alta de Leis mais conservadora, com maior influência da direita.
PL
O Partido Liberal (PL) terá a maior bancada do Senado, com 28 parlamentares. A legenda elegeu 19 senadores em 2026, que se somam aos nove integrantes com mandatos em andamento. O resultado amplia o peso do bolsonarismo na Casa Alta de Leis.
PT
O PT contará com nove senadores a partir de 2027. A legenda elegeu seis representantes em 2026 e manteve sua bancada de nove integrantes na bancada. A legenda petista continuará como uma das principais forças de oposição ao PL no Senado.
MDB
O MDB terá oito senadores na próxima legislatura. Apesar de eleger sete representantes em 2026, a legenda reduzirá sua bancada em relação à composição anterior. Ainda assim, conservará espaço relevante nas negociações políticas e na formação de maiorias.
FUP
A federação partidária União Progressista (UP) terá uma bancada conjunta projetada de 12 senadores. A força desse grupo dependerá da articulação entre União Brasil e o PP, bem como da capacidade de negociar apoio às propostas do governo e da oposição no Congresso Nacional.
Cinco
PSD e Republicanos terão cinco senadores cada, conforme resultado do TSE divulgado após o primeiro turno. As duas legendas ocuparão posições relevantes na disputa por alianças, relatorias e presidências de comissões, podendo influenciar votações decisivas ao longo da legislatura.
PSB
O PSB terá quatro senadores a partir de fevereiro de 2027. A legenda contará com representantes de diferentes estados e deverá participar das articulações do campo de centro-esquerda, embora sua atuação dependa das pautas em votação e dos acordos firmados na Casa na Casa Alta de Leis.
Novo
O partido Novo contará com três senadores na próxima legislatura. O partido terá representação menor que a do PL, mas poderá atuar em votações específicas, especialmente quando houver convergência entre suas posições e as de outras bancadas em matérias econômicas, administrativas e institucionais.
Dois
PSDB e Podemos terão dois senadores cada. Mesmo com bancadas reduzidas, as legendas poderão participar das negociações legislativas e influenciar decisões em votações apertadas, dependendo da convergência de interesses e da capacidade de articulação de suas lideranças.
Um
Rede Sustentabilidade e PDT terão um senador cada após o resultado do primeiro turno divulgado pelo TSE. Com representação reduzida, os partidos precisarão articular alianças para ampliar sua influência sobre a agenda legislativa e defender suas prioridades no Senado Federal.
Governar
Uma coisa é certa: quem vencer a disputa presidencial no próximo dia 25 de outubro terá de governar com um Senado mais conservador e ideologicamente alinhado à direita, cenário que poderá ampliar as tensões políticas e dificultar as negociações entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo.
Reagiu
Falando em tensões, o senador eleito Bruno Scheid (PL) reagiu à declaração da ex-senadora e deputada estadual eleita Fátima Cleide (PT), segundo a qual a Polícia Militar de Rondônia (PMRO) “mete medo na população da periferia”. A fala provocou reações no meio político e entre representantes da corporação.
Escudo
Nas redes sociais, Bruno Scheid sugeriu a Fátima Cleide corrigir sua fala e classificou a PMRO como escudo da sociedade rondoniense. Reforçou, ainda, o compromisso de defender, no Congresso Nacional, maior liberdade de atuação das forças de segurança no combate ao crime.
Repudiaram
Além de Bruno Scheid, outros parlamentares e entidades representativas dos policiais militares de Rondônia repudiaram a declaração de Fátima Cleide (PT), classificando-a como infeliz, polêmica e desnecessária. A fala reacendeu o debate sobre segurança pública e o papel da PMRO.
Intenção
Falando no papel da PMRO, o governador eleito Marcos Rogério (PL) tem afirmado, em entrevistas, a intenção de requisitar o retorno de agentes de segurança cedidos a outros órgãos, diante da escassez de efetivo nas polícias Civil e Militar e no Corpo de Bombeiros.
Agenda
O senador e governador eleito Marcos Rogério (PL) iniciou uma agenda institucional com visitas a órgãos de fiscalização e controle, a exemplo do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO). Em breve, deverá se reunir com representantes dos poderes Judiciário e Legislativo.
Convite
Marcos Rogério (PL) deixou escapar o convite ao deputado federal Jaime Gazola (Podemos) para assumir a Secretaria Estadual de Saúde. Caso aceite o desafio, o primeiro suplente, Rafael Fera (Podemos), deverá permanecer na Câmara Federal, em Brasília.
Cotados
O debate pela eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALERO) já começou. O PL, com sete deputados estaduais, tem entre os nomes cotados Jean Mendonça, Nim Barroso, Delegado Lucas Torres, Luizinho Goebel e Alan Queiroz.
Mirando
O deputado estadual Luizinho Goebel (PL) não demonstra interesse em presidir a ALERO. Seu objetivo seria uma indicação para a próxima vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO), mirando novos espaços.
Perfil
O delegado Lucas Torres (PL) desponta como nome cotado para comandar a SESDEC. Sereno, inteligente e com perfil conciliador, reuniria atributos capazes de facilitar o diálogo institucional e auxiliar o governador eleito Marcos Rogério (PL) na área da segurança pública.
Suplente
A eventual ida de Lucas Torres para a SESDEC abriria espaço na Assembleia Legislativa para o primeiro suplente Ninho Testoni (PL). Ele e o pai, o prefeito Alex Testoni (União), de Ouro Preto do Oeste, foram aliados de primeira hora de Marcos Rogério na disputa pelo governo.
Confiança
Entre os nomes do PL, Alan Queiroz (PL) é quem reúne maior experiência na presidência de uma Casa Legislativa. Ele comandou a Câmara Municipal de Porto Velho (CMPV) e, como líder do governo na ALERO, conquistou confiança entre os colegas.
Peso
O arco de alianças do governador eleito Marcos Rogério (PL) também garantiu três cadeiras na ALERO: Luiz do Hospital (Novo), Dr. Gilber (Novo) e Paulo Moraes Júnior (Podemos). Os três passam a ter peso nas articulações da futura Mesa.
Citado
Nos bastidores, cogita-se que Luiz do Hospital (Novo) pretende presidir a Comissão de Saúde, enquanto Dr. Gilber (Novo) mira a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Paulo Moraes Júnior (Podemos) também é citado para a Presidência da ALERO.
Aderiu
Na reta final da eleição, o ex-presidente da ALERO, deputado Marcelo Cruz (Avante), aderiu à candidatura de Marcos Rogério (PL). Já Laércio Torres (Avante), estreante na política, estava com Rogério por influência do prefeito Flori Cordeiro (Podemos) de Vilhena.
Lembrado
Marcelo Cruz (Avante) é lembrado por colegas e servidores como um dos melhores presidentes da ALERO. Com a confiança dos deputados e o reconhecimento dos servidores, seu nome pode voltar à mesa de negociações pela presidência da Casa de Leis.
Conquistar
Diante desse cenário, o bloco governista chega a 12 deputados e precisa conquistar mais três ou quatro nomes para formar maioria e definir a composição da Mesa Diretora. Entre os cotados está o atual presidente, Alex Redano (Republicanos) para renovar o mandato de presidente da ALERO.
Surgem
Fora do bloco governista, PSD tem três deputados; PRD, três; PT, dois; Republicanos, dois; e PP, dois. Nos bastidores, surgem os nomes de Laerte Gomes, Cássio Gois, Ismael Crispim e Alex Redano para comandar a ALERO.
Sério
Falando sério, O novo mapa partidário no Senado também impõe uma distinção importante: tamanho de bancada não é sinônimo automático de alinhamento político. Para aprovar propostas de emenda à Constituição, são necessários 49 votos favoráveis no Senado, em dois turnos de votação. Portanto, qualquer projeto de reforma constitucional dependerá de negociações que ultrapassem as fronteiras partidárias.
Autor: | Fonte: www.rondoniadinamica.com
