Monitoramento de quelônios no Parque Corumbiara termina nesta sexta-feira, 23, com alerta para reprodução da tartaruga-da-Amazônia
O monitoramento continuado de quelônios no Parque Estadual Corumbiara, no sul de Rondônia, entra na reta final e será encerrado nesta sexta-feira, 23 de
O monitoramento continuado de quelônios no Parque Estadual Corumbiara, no sul de Rondônia, entra na reta final e será encerrado nesta sexta-feira, 23 de outubro. A iniciativa acompanha a reprodução da tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa) e busca ampliar o conhecimento sobre a espécie, especialmente diante das condições atípicas do nível do Rio Guaporé nesta temporada.

Às margens do rio, as equipes realizam o acompanhamento das fêmeas durante o período reprodutivo em oito praias da unidade de conservação. O trabalho inclui a identificação e a marcação dos animais, permitindo registrar seus deslocamentos e reunir informações sobre a população que utiliza a região para desovar.
De acordo com a coordenação do projeto, a estimativa é de que aproximadamente oito mil fêmeas estejam desovando nas praias do parque. O número representa um potencial de mais de 500 mil filhotes até o final do ano, caso as condições permitam o desenvolvimento dos ovos e a eclosão.
Um dos principais desafios identificados nesta temporada é a permanência do nível elevado do Rio Guaporé. O volume de água reduz a extensão das praias disponíveis para a desova e pode comprometer o desenvolvimento dos ninhos caso sejam atingidos pela inundação.

Segundo De Souza coordenador das unidades de conservação, a situação é considerada atípica e exige atenção, já que o sucesso reprodutivo depende também das condições ambientais encontradas durante a incubação dos ovos.
O acompanhamento permite reunir informações sobre a relação entre as mudanças no nível do rio e a reprodução da tartaruga-da-Amazônia, uma das espécies de quelônios mais emblemáticas da região amazônica.

Pesquisa científica e conservação da espécie
De acordo com Biólogo Diego Rudieli, biólogo e técnico responsável pela atividade, além da marcação dos animais, o projeto conta com a participação de pesquisadores e estudantes da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Durante as atividades, são coletadas amostras biológicas para avaliar aspectos da saúde das tartarugas e ampliar o conhecimento científico sobre a espécie.
Os registros obtidos também poderão contribuir para a compreensão dos deslocamentos das fêmeas entre as praias e para o acompanhamento dos ciclos reprodutivos nos próximos anos.

A equipe está no Parque Estadual Corumbiara desde o dia 5 de outubro e, conforme as informações repassadas pela coordenação, já marcou mais de 600 animais. Com o encerramento das atividades de campo nesta sexta-feira, os dados coletados servirão de base para avaliar os resultados do monitoramento e os possíveis impactos das condições do Rio Guaporé sobre a reprodução.
A iniciativa é desenvolvida pelo Governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), em parceria com pesquisadores da UNIR e com apoio do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA).

O trabalho reforça a importância da pesquisa científica e do monitoramento contínuo para a conservação da biodiversidade amazônica, especialmente em áreas protegidas que abrigam importantes locais de reprodução de espécies silvestres.
Autor: | Fonte: rondorural.com.br
