Cemitérios de Porto Velho recebem famílias em dia de homenagens, fé e saudade
Além das homenagens, o Dia de Finados reacende uma antiga cobrança da população: a necessidade de manutenção permanente dos cemitérios públicos…

PORTO VELHO – RO – Os cemitérios de Porto Velho recebem, nesta segunda-feira (2), familiares e amigos que aproveitam o Dia de Finados para homenagear aqueles que partiram. Flores, velas, orações e momentos de silêncio marcam a data, transformando os campos-santos em lugares de fé, lembranças e saudade.
No Cemitério Santo Antônio, o maior da capital, a movimentação também chama atenção para as condições de conservação do espaço. Após denúncias de abandono, principalmente na área onde estão sepultadas vítimas da Covid-19, a Prefeitura realizou um mutirão de limpeza, com retirada de mato, entulhos e manutenção das áreas comuns.
Os trabalhos duraram aproximadamente 20 dias e foram concluídos antes do feriado. A igreja localizada no interior do cemitério também recebeu melhorias para a realização das celebrações religiosas.
Outro local de grande significado histórico e afetivo é o Cemitério dos Inocentes, localizado no centro de Porto Velho. Considerado parte da memória da cidade, o espaço guarda os restos mortais de integrantes de famílias pioneiras que participaram da formação e do desenvolvimento da capital rondoniense.
Entre as personalidades sepultadas no local está o poeta Vespasiano Ramos, considerado um dos precursores da literatura em Rondônia. Sua presença reforça a importância histórica e cultural do cemitério, onde repousam personagens que ajudaram a construir a identidade porto-velhense.
Vespasiano Ramos, Intelectual e muito famoso na época, inclusive sendo homenageado com nome de rua, outro personagem que está sepultado no Cemitério dos Inocentes é o poeta maranhense Joaquim Vespasiano Ramos. O poeta morreu em 1920, após ter passado por seringais na região de Ariquemes, onde contraiu malária, mas a causa da morte teria sido tuberculose.
Emanuel Silvestre Amarante, conhecido como Major Amarante. Militar do Exército Brasileiro, engenheiro, geógrafo, cartógrafo, explorador e sertanista, ele seria genro do patrono de Rondônia, Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. Major Amarante também contribuiu para a instalação de linhas telegráficas junto com Rondon e teria morrido em 1929, aos 49 anos de idade.
Enquanto o Cemitério dos Inocentes preserva parte da história das primeiras gerações da cidade, o Santo Antônio, inaugurado em 1975, abriga milhares de sepulturas e enfrenta limitações para novos enterros. A administração municipal estuda a implantação de um novo cemitério, ainda sem prazo definido.
Além das homenagens, o Dia de Finados reacende uma antiga cobrança da população: a necessidade de manutenção permanente dos cemitérios públicos, para que os cuidados com esses espaços não fiquem restritos à proximidade do feriado.
Entre flores, lágrimas e orações, os cemitérios de Porto Velho se transformam neste 2 de novembro em lugares onde passado e presente se encontram. No silêncio das sepulturas repousam não apenas aqueles que partiram, mas também histórias de amor, de famílias pioneiras e de gerações que ajudaram a construir a cidade. Afinal, a morte encerra a vida, mas jamais apaga a memória de quem deixou saudades.
Autor: | Fonte: rondonoticias.com.br
