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‘Uma nação privatizada’

A íntegra redigida por Professor Nazareno

Por Na Hora Online Publicado em 20/02/2020 - 18:09 Última atualização 04/08/2024 - 14:29
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A íntegra redigida por Professor Nazareno


Sempre acreditei na máxima de que “quando tudo for privado, seremos privados de tudo”. E essa discussão no Brasil vem desde os governos neoliberais de FHC no final da década de 1990. “O Estado tem que ser o menor possível”, diziam os teóricos dessa aberração social. No nosso país, onde os governantes nunca investiram em Educação de qualidade, o resultado não podia ser diferente: desemprego em massa e uma economia baseada na informalidade. Essas são as “conquistas” que observamos hoje mais de duas décadas depois. A Vale do Rio Doce e a Energisa são dois exemplos típicos da grande onda de privatizações que tomou conta do Brasil nos últimos anos.Mesmo com 13 anos de um governo de esquerda, a onda privatizante se espalhou pelo Brasil, entregou várias empresas estatais à iniciativa privada e ainda continua sendo uma panaceia milagreira.

Mas não é. A privatização dos bens pertencentes ao Estado só aumentou a desigualdade social e os problemas dos cidadãos brasileiros, que pagam uma das maiores cargas tributárias do mundo, e nada recebem em troca. Se o Estado se desfizer de seus bens, deveria também parar de cobrar tantos tributos. Mas a desestatização não funciona assim. Pelo menos no nosso país. O Estado se desfaz de seu patrimônio e continua cobrando altos impostos de todos. Aqui não temos Educação de qualidade, não temos Saúde, não temos saneamento básico, nem qualquer assistência do Poder Público. Até o que se pagade energia vai para uma empresa privada que só vê o lucro. No caso específico de Rondônia, a atuação da Energisa dispensa quaisquer comentários. Assim como a Vale do Rio Doce com os seus incríveis desastres de Mariana e de Brumadinho.

Nos países desenvolvidos de Primeiro Mundo tudo o que é público funciona muito bem. No Brasil, só dá certo tudo que é privado. Por isso, a ideia de privatizar tudo tomou conta de todos indistintamente. Quando os funcionários da antiga Ceron saíam às ruas, por exemplo, todo mundo gritava a uma só voz: “têm que privatizar mesmo.Só assim vai melhorar”. E a classe política local foi a primeira a entregar o patrimônio dos rondonienses aos forasteiros. Depois eles tentaram consertar a bobagem criando uma CPI na Assembleia Legislativa para “defender os consumidores lesados pela empresa mineira”. Tarde demais. “Só conversa para inglês ver”. Sem a sua empresa de energia elétrica e tendo que pagar por uma das mais altas taxas de energia elétrica do país, os tolos rondonienses perderam tudo e hoje choram “desolados” sobre o leite derramado.

Agora o governo do “Mito” quer privatizar o resto do que sobrou do Estado brasileiro. Os Correios, A Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, os poucos bancos estaduais que ainda existem, as estradas, as escolas públicas, os hospitais, a Petrobras, osportos, a Amazônia, o Cerrado, o litoral, as chapadas, as universidades federais e talvez até todos os Estados da Federação. Nada escapa da sanha privacionista do atual governo. Se depender de Brasília, tudo será entregue à iniciativa privada. E nada de se fazer a reforma tributária. Nada de diminuir os impostos. Nada de tentar melhorar os serviços públicos. Os mais de 13 milhões de desempregados sofrem pela incompetência dos sucessivos governos. O Estado sendo público nunca funcionou para a maioria de seus sofridos cidadãos. Por que melhorará se for todo doado à iniciativa privada? Aqui sempre prevaleceu a ideia da “Casa Grande e Senzala”. Triste tudo isso!

Professor Nazareno

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