Reportagem da Piauí revela roubo de R$ 300 milhões de prefeito aliado de Lira; parte do dinheiro é do orçamento secreto
De acordo com investigações da Polícia Federal, agora prefeito, Gilberto estaria recebendo propina de duas empresas que operam no município.
De acordo com investigações da Polícia Federal, agora prefeito, Gilberto estaria recebendo propina de duas empresas que operam no município.
A revista Piauí revela em reportagem exclusiva o roubo de mais de R$ 300 milhões da prefeitura de Rio Largo (AL), pelo prefeito Gilberto Gonçalves, que quando era deputado estadual chegou a ser preso pela Polícia Federal na Operação Taturana, que investigava desvios na Assembleia Legislativa de Alagoas. Arthur lira, hoje presidente da Câmara dos Deputados, foi afastado do cargo na época e já foi condenado em duas instâncias por improbidade administrativa e ainda recorre das sentenças.
De acordo com investigações da Polícia Federal, agora prefeito, Gilberto estaria recebendo propina de duas empresas que operam no município.
“O que a Polícia Federal descobriu em Rio Largo, município de 75 mil habitantes na região metropolitana de Maceió, já motivou a apresentação à Justiça de um pedido de prisão de Gilberto Gonçalves, no início de julho. A defesa conseguiu a suspensão temporária da investigação, por ela ter iniciado na primeira instância — prefeitos só podem ser processados criminalmente na segunda instância, graças à prerrogativa do foro privilegiado. Mas os investigadores aguardam uma nova decisão para dar continuidade ao caso na segunda instância. E a liminar não anula o que foi apurado até aqui, com fortes indícios de desvio de dinheiro“, diz a reportagem.
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Em outro trecho:
As imagens impressionam. Durante quatro dias seguidos, pessoas a serviço da empresa Litoral Construções e Serviços Ltda sacam dinheiro da conta da empresa em uma agência da Caixa Econômica Federal em Rio Largo. Em seguida, em um Chevrolet Agile vermelho, dirigem-se até uma ruela que fica no meio do caminho entre a agência bancária e a prefeitura. No beco, que não chega a 100 metros de extensão, o carro vermelho encosta ao lado de uma caminhonete Fiat Toro branca. Os vidros se abaixam, e uma caixa é repassada do carro vermelho para o carro branco. A Toro branca então retorna à prefeitura. Seus ocupantes, segundo a PF, são funcionários e seguranças armados do prefeito Gilberto Gonçalves. Esse passo a passo ocorreu entre nos dias 30 e 31 de maio, 1º e 2 de junho. Agentes da PF e câmeras de segurança nas ruas filmaram tudo. Em cada dia, foram sacados 49 mil reais — segundo dados obtidos pela PF junto ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Para os investigadores, os saques voltaram para o prefeito como pagamento de propina.
A Litoral é uma das empresas envolvidas no caso. A outra é a Reauto Serviços e Comércio de Peças. Desde março de 2018 até fevereiro de 2022, os valores repassados às duas empresas, somados, chegam a 18,4 milhões da prefeitura, segundo a PF. As fontes dos recursos são Fundo Nacional de Saúde/SUS, Fundo Municipal de Saúde e até precatórios do Fundo Nacional da Educação Básica (Fundeb). As empresas não possuem, porém, capacidade operacional para prestar os serviços para os quais são contratadas, como o fornecimento de materiais, de acordo com os investigadores, “servindo apenas para emissão de notas fiscais visando lastrear os desvios perpetrados”. A Litoral, por exemplo, nunca possuiu empregados formalmente registrados, de acordo com pesquisas no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
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Estreitas relações
O Brasil da aliança Bolsonaro–Centrão, o que Arthur Lira diz é lei. Assim, quando ele indicou os cerca de 9 milhões para Rio Largo este ano com o orçamento secreto, bastou 24 dias para o dinheiro cair na conta do prefeito Gilberto Gonçalves. No dia 29 de maio,
Arthur Lira protocolou no Congresso duas indicações de emendas para Rio Largo. A primeira, de 8,58 milhões de reais, e a segunda, de 336,72 mil. Dois dias depois, o relator-geral do orçamento, Hugo Leal (PSD-RJ), encaminhou as duas indicações para o Ministério da Saúde. No dia 14 de junho, uma portaria do Ministério da Saúde autorizou o direcionamento das verbas. Por fim, os 8,9 milhões de reais caíram na conta do Fundo Municipal de Saúde de Rio Largo no dia 22 de junho.
A indicação de Lira foi feita na véspera de a Polícia Federal flagrar pela primeira vez o saque e a entrega do suposto pacote de dinheiro por funcionários da Litoral a funcionários da prefeitura de Rio Largo.
A proximidade entre Arthur Lira e Gilberto Gonçalves é visível em outdoors na cidade de Rio Largo e também em publicações nas redes sociais. “A saúde em Rio Largo tem a força do trabalho do Dep. Arthur Lira. Obrigado! Prefeito Gilberto Gonçalves”, lê-se em uma das publicidades ao ar livre. Até pouco tempo havia um outdoor que parabenizava a eleição de Lira como presidente da Câmara dos Deputados. Em fevereiro, o prefeito divulgou um vídeo em que reforça o papel de Lira no envio das emendas ao município.
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Via Piauí; PainelPolítico
