Almir José do Sindsef critica bancada de Rondônia, questiona pedágio na BR-364 e expõe drama de servidores contaminados por DDT

PORTO VELHO, RO – A avaliação da representação de Rondônia no Congresso ocupou uma das principais frentes da participação de Almir José no podcast RD Entrevista. Presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Estado de Rondônia (Sindsef/RO) e candidato a deputado federal pelo Podemos, ele disse ao jornalista Vinícius Canova que a bancada do Estado não manteve, em sua avaliação, uma atuação suficiente em torno das reivindicações apresentadas pelos servidores públicos.

Almir reconheceu que parlamentares participaram de determinadas articulações, citando apoios recebidos em pautas específicas. A crítica, porém, foi direcionada ao comportamento coletivo da bancada. Segundo o candidato, faltou continuidade depois dos primeiros contatos feitos pelo sindicato no início da legislatura.

“A bancada de Rondônia, nas pautas do servidor público, deixou muito a desejar. Não deram assistência para as pautas do servidor público”, afirmou.

Para Almir, a ausência de articulação conjunta dificultou o avanço de assuntos que dependem de decisões tomadas em Brasília.

O candidato disse que pretende fazer justamente esse trabalho se chegar à Câmara dos Deputados. Ao longo da entrevista, sustentou que o Estado possui aproximadamente 105 mil servidores entre municipais, estaduais e federais e que esse contingente, assim como outros setores da sociedade, precisa encontrar espaço dentro da representação política.

Almir afirmou que sua intenção não é criar uma bancada voltada exclusivamente ao funcionalismo, mas garantir que as reivindicações da categoria não sejam deixadas de lado enquanto os parlamentares tratam de temas econômicos, empresariais e ligados ao agronegócio.

O dirigente sindical também defendeu que entidades representativas participem diretamente da elaboração de soluções legislativas relacionadas aos trabalhadores. A transposição dos servidores de Rondônia foi usada por ele como exemplo de um processo em que, segundo sua avaliação, problemas poderiam ter sido evitados com maior participação das organizações sindicais.


Ao abordar a Emenda Constitucional 60, Almir afirmou que houve lacunas na regulamentação e relatou casos de trabalhadores que teriam sido enquadrados em níveis funcionais inferiores. Disse ainda que o sindicato atuou posteriormente para conseguir reenquadramentos e corrigir situações identificadas ao longo do processo.

A PEC 47 apareceu como continuidade desse debate. Almir sustentou que a experiência acumulada pelas entidades precisa ser considerada na tramitação de medidas relacionadas à transposição.

“Os parlamentares querem resolver, fazer a transposição, o que é bacana, só que eles esquecem de convidar os sindicatos para participar de todo o processo”, disse.

Para ele, o conhecimento técnico das situações individuais e das carreiras está concentrado, em boa parte, nas entidades que acompanham os servidores cotidianamente.

Outro eixo da entrevista foi a situação de antigos trabalhadores envolvidos no combate a doenças endêmicas. Almir contou que atuou nesse serviço e afirmou ter sido vítima de adoecimento relacionado à exposição a produtos utilizados na época.

O candidato descreveu agentes trabalhando com inseticidas sem máscara, luvas ou roupas apropriadas e relatou períodos prolongados em áreas rurais, com estruturas precárias de hospedagem. Segundo ele, os próprios servidores não recebiam informações adequadas sobre os riscos e eram levados a acreditar que o produto não representava perigo relevante à saúde humana.

Almir afirmou ter visitado municípios onde encontrou antigos servidores acamados e com câncer. Também falou sobre mortes e sobre o impacto financeiro e familiar do adoecimento.

Ao ser questionado sobre o que poderia fazer na Câmara, apresentou a PEC 101 como uma das medidas que pretende acompanhar. Segundo ele, a proposta avançou na Comissão de Constituição e Justiça depois de mobilizações, mas não teve instalada a comissão especial necessária para o prosseguimento.

O candidato afirmou que servidores continuam esperando uma solução e relacionou o tema à necessidade de assistência médica para trabalhadores que atribuem doenças à exposição ocupacional.

A entrevista também voltou às perdas provocadas, segundo Almir, por decisões relativas aos planos Bresser, Verão e Collor. Ele relatou que ações judiciais sobre esses temas enfrentaram mudanças de competência e que o sindicato continua tentando recuperar direitos de grupos atingidos.

Segundo o presidente do Sindsef, parte dessas disputas começou na Justiça do Trabalho e posteriormente passou à Justiça Federal. O candidato apresentou o tema como uma das frentes em que a atuação política e a atuação jurídica acabam se cruzando.

Essa proximidade entre sindicato e política levou Vinícius Canova a questionar como Almir evitaria restringir um eventual mandato aos interesses dos filiados da entidade.

Na resposta, o candidato buscou ampliar sua trajetória para além do funcionalismo. Disse ser oriundo de família humilde, ter vivido em comunidade ribeirinha e área rural e conhecer problemas enfrentados por agricultores e moradores afastados dos centros urbanos.

Almir citou dificuldade para escoar produção, falta de escolas, precariedade de postos de saúde e problemas no transporte. A partir daí, argumentou que a valorização do servidor público também deve ser vista como uma forma de melhorar a prestação do serviço entregue ao cidadão.

Para ele, melhores condições de trabalho de profissionais que atuam em hospitais, escolas e outras estruturas públicas produzem efeitos sobre quem depende desses serviços. O candidato afirmou que pretende defender simultaneamente direitos trabalhistas e melhoria do atendimento à população.

A definição ideológica foi outro tema colocado diretamente na entrevista. Perguntado se se considera de esquerda ou de direita, Almir respondeu que se posiciona “do lado do servidor público”.

Ele disse ter comandado o sindicato durante governos identificados com campos políticos diferentes e afirmou que as conquistas obtidas pela categoria, em sua avaliação, decorreram de organização e mobilização dos trabalhadores, e não de concessões espontâneas de governos.

Almir também observou que o próprio Sindsef reúne pessoas com posições divergentes. Segundo ele, escolher representar apenas uma dessas parcelas significaria deixar a outra sem atendimento. A mesma lógica, disse, deve ser aplicada a um eventual mandato parlamentar.

Questionado sobre sua escolha para presidente da República, afirmou que ainda não havia decidido e que continuava avaliando o cenário político.

A entrevista abriu espaço ainda para questões que atingem um público mais amplo em Rondônia. Uma delas foi a malha aérea. Almir relatou que viaja com frequência a Brasília por causa das atividades sindicais e descreveu deslocamentos em horários de madrugada, noites sem dormir e dificuldades provocadas pela oferta limitada de voos.

Na visão apresentada pelo candidato, o problema exige atuação coordenada da bancada e diálogo com a população para identificar as prioridades do Estado e cobrar respostas das empresas envolvidas.

O pedágio na BR-364 foi tratado sob perspectiva semelhante. Almir questionou por que a reação política ganhou intensidade quando a implantação já estava avançada e sustentou que decisões desse porte precisam ser acompanhadas desde as etapas anteriores.

Ele afirmou ser necessário observar de forma permanente projetos que chegam a Rondônia, de modo que a discussão ocorra antes da consolidação de medidas que depois se tornam mais difíceis de modificar.

Na reta final, o candidato foi perguntado sobre referências políticas. Mencionou Mauro Nazif e Eduardo Valverde ao falar de figuras que associa a trabalhos voltados aos servidores e à população do Estado.

Almir, porém, afirmou que não pretende transformar a política em atividade permanente. Disse enxergar a candidatura como uma missão destinada a enfrentar questões que acompanha há anos como dirigente sindical.

A agenda apresentada por ele não ficou restrita ao funcionalismo. Durante o programa, citou saúde, educação, segurança pública, cultura, esporte, mães atípicas e feminicídio entre assuntos que pretende discutir se for eleito.

A transposição voltou a aparecer quando Almir tratou dos efeitos financeiros que atribui à conclusão do processo. Segundo ele, a transferência de servidores para a União pode gerar economia para o Governo de Rondônia e abrir espaço para investimentos em outras áreas.

Ao encerrar sua participação, o presidente do Sindsef recuperou episódios de sua gestão à frente da entidade. Citou a mobilização contra uma medida provisória relacionada à Funasa, ações judiciais, reenquadramentos funcionais e reivindicações envolvendo professores e outros servidores transpostos.

Almir disse que pretende levar essa experiência para a Câmara dos Deputados e apresentou como objetivo combinar a defesa dos trabalhadores com a cobrança por serviços públicos melhores para a população.

O RD Entrevista é apresentado pelo jornalista Vinícius Canova e realizado nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia. O programa é dirigido por Roberto Lamarão, também responsável pela pós-produção e motion.

Autor: | Fonte: www.rondoniadinamica.com

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