A secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como Capitã Cloroquina, será ouvida pela CPI da Covid nesta terça-feira. Ela, que está na pasta desde a gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, tornou-se uma das defensoras mais ferrenhas no governo, a partir do período de Pazuello como chefe, do chamado “tratamento precoce” com uso de cloroquina e hidroxicloroquina, remédios que não apresentaram eficácia para a Covid-19.
O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), destacou que a CPI já recebeu 300 gigabytes de documentos, dos quais 100 gigabytes são sigilosos. E fez um alerta contra vazamentos:
— Solicito a máxima cautela aos parlamentares e servidores que forem acessar a documentação sigilosa da comissão. O vazamento por parlamentares constitui violação ao artigo 144 do regimento, e pode configurar infração ética ou disciplinar. Para servidores , divulgar pode resultar demissão, sem prejuízo das demais responsabilidades na área cível e criminal. Quanto á utilização de trechos de documentos sigilosos na fala de senadores, esclareço que a princípio não cabe à presidência cercear a palavra dos membros dessa comissão, até porque eu não tenho informação sobre todos os documentos.
O senador Alessandro Vieira, do Cidadania, apresentou requerimento à CPI da Covid para a quebra dos sigilos telefônico, fiscal, bancário e telemático de Mayra Pinheiro, como noticiou o colunista Ancelmo Góis. Os períodos para transferência dos dados são a partir de abril de 2020. A previsão é de que a secretária seja questionada sobre a crise de Saúde no Amazonas e a suposta pressão feita pelo Ministério da Saúde para que o governo local utilizasse remédios virais sem comprovação verificada contra a Covid-19.
A secretaria dirigida pela médica no Ministério da Saúde, de Gestão do Trabalho e da Educação, cuida de temas ligados a pessoal, como programas de residência. Mas ela tomou para si o tema do tratamento precoce e conseguiu emplacar um subordinado, que era diretor em seu departamento, o médico Helio Angotti, admirador do escritor Olavo de Carvalho, para assumir a Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde — essa sim responsável por acompanhar experimentos em saúde, inclusive farmacêuticos.