Consumidores de Rondônia ‘caíram no conto do vigário’ da privatização da energia da CERON

Os consumidores precisaram apenas de uns poucos meses para sentirem uma grande saudade da antiga CERON

Coluna Reticências políticas, por Itamar Ferreira

 

Há décadas, mais intensamente a partir do governo tucano de FHC, a privatização de empresas públicas estatais passou a ser a panaceia, o remédio, para todos os problemas brasileiros relacionados, especialmente, aos serviços prestados pelo poder público.

Problemas com ESTRADAS mal conservadas? Privatiza e coloca pedágios, enquanto os usuários convivem com frequentes aumentos abusivos e a qualidade deixa muito a desejar. SAÚDE? Aprove a terceirização dos serviços para as chamadas OSs, como se tentou fazer há pouco tempo no Estado e na Prefeitura da Capital. ÁGUA? As prefeituras apresentam como grande solução privatizar o sistema de água e saneamento, como já aconteceu em Ariquemes, cujos resultados em termos de qualidade e custos das tarifas são questionáveis.

Enfim, o “paraíso das privatizações”, via de regra, representa apropriação de patrimônio público, tarifas mais altas e qualidade de serviços que deixa muito a desejar. Não está sendo diferente com a privatização da energia para a ENERGISA. Os consumidores precisaram apenas de uns poucos meses para sentirem uma grande saudade da antiga CERON. Duas medidas, adotadas com grande rapidez e “eficiência”, estão mostrando aos incautos consumidores rondonienses no que as empresas privatizadas são realmente boas: gerar lucros fáceis para seus acionistas.

A primeira dessas medidas é um acintoso e escandaloso aumento de 25% na tarifa. Qual a justificativa ou explicação para um aumento tão abusivo? Ora, a ENERGISA recém adquiriu a CERON, menos de um ano, portanto, não se pode alegar defasagem inflacionária, até porque a inflação acumulada nos últimos 12 meses é de aproximadamente 4% em média.

Na verdade nós, os “trouxas” rondonienses, fomos transformados em “sócios” indiretos da ENERGISA, para bancar seus investimentos. Como assim? Simples: ela quer recuperar rapidamente o investimento feito para comprar a CERON e, ao mesmo tempo, precisa fazer novos investimentos para assegurar o funcionamento da estrutura necessária para prestar o serviço, ao menos com a qualidade da antiga CERON. Todavia, a ENERGISA não está afim de meter a mão no próprio bolso, então no bolso de quem ela está descaradamente enfiando a mão? No seu consumidor rondoniense, que se tornou o “pato amarelo” da Amazônia.

A segunda medida da ENERGISA vai tirar o sono de muita gente: trata-se de um política de “tolerância zero” com a chamada perda de energia, através de ligações clandestinas como rabichos em casas de assentamentos urbanos e os desvios de energia, popularmente conhecidos como “gatos”, em residências e pontos comerciais. Breve, muitos que aplaudiram a privatização estarão respondendo processos judiciais por furto e para devolução de valores furtados por anos da CERON, que agora irão para os sequiosos bolsos da ENERGISA.

Conclusão: a privatização está muito longe de ser a melhor solução para os serviços prestados pelo poder público, principalmente nas áreas de energia, água, saúde, rodovias, previdências e vários outros. O exemplo mais dramático disso é o caso da Vale do Rio Doce, com o desastre ambiental de Mariana e, pouco tempo depois, a inaceitável tragédia de Brumadinho, onde a ganância por lucros foi sempre a principal prioridade.

Vem mais por aí, pois em breve a Prefeitura de Porto Velho, que está conseguindo a façanha de acabar com o transporte coletivo da Capital, tentará privatizar a água e o saneamento, com as mesmas sedutoras promessas de que privatizar resolve tudo. Ter sido “pato” na privatização da energia e estar amargando 25% na conta foi, digamos, humano, mas voltar a ser “pato” na questão da água e saneamento será burrice mesmo, sem qualquer intenção de maus tratos com o simpático quadrúpede, ao fazer tal comparação.

Comments (0)
Add Comment