Rogério promete revisar contratos e cortar excessos; Léo Moraes mantém parceria com novo governo; e Chrisóstomo e Flores surpreendem

RESENHA POLÍTICA

ROBSON OLIVEIRA

ENTREVISTA

Por uma hora ininterrupta, o governador eleito de Rondônia, Marcos Rogério, conversou com este cabeça chata no podcast Resenha Política sobre os primeiros passos de sua administração. A entrevista permitiu conhecer melhor as prioridades de quem venceu as urnas com a promessa de imprimir uma nova dinâmica ao governo estadual. Agora, entre o discurso eleitoral e a realidade administrativa, começa a contagem regressiva para a hora da verdade.

DESTRAVAR

Marcos Rogério pretende começar com um comitê de crise para enfrentar os dois setores mais estrangulados da administração: saúde e segurança pública. A proposta é destravar estruturas que acumulam problemas e dar respostas mais rápidas à população. O governador eleito promete fazer a diferença com uma equipe predominantemente técnica, capaz de transformar decisões políticas em resultados concretos. A intenção é compreensível. Afinal, o cidadão já está cansado de governos que administram discursos com a eficiência que falta aos serviços públicos.

TESOURA

O novo governador também anunciou que pretende revisar contratos e eliminar despesas excessivas que eventualmente onerem os cofres estaduais. Fez, contudo, questão de afastar a ideia de uma caça às bruxas. Segundo ele, o objetivo é racionalizar a aplicação dos recursos públicos e elevar a eficiência da máquina administrativa, não perseguir adversários ou promover expurgos por conveniência política. A promessa será testada quando a revisão alcançar contratos, interesses e estruturas que nem sempre recebem bem a visita da tesoura.

PROMESSA

Na saúde, Marcos Rogério reafirmou dois compromissos importantes de campanha: construir, em quatro anos, um hospital na capital e uma unidade de trauma em Ji-Paraná. Também defendeu um modelo híbrido de gestão, com participação pública e privada, mas ressaltou que a iniciativa privada deve atuar de maneira complementar, sem substituir a responsabilidade do Estado. A distinção é relevante, sobretudo num setor em que a palavra eficiência costuma aparecer com facilidade nas apresentações de PowerPoint e desaparecer diante das filas, da falta de atendimento e da demora por procedimentos.

DIREITOS

Em relação aos servidores públicos, o governador eleito, embora se identifique com posições liberais, declarou respeito às categorias e descartou perseguições durante sua gestão. É uma sinalização necessária. O funcionalismo não pode ser tratado como inimigo de quem chega ao poder, assim como estabilidade e direitos não devem servir de escudo para eventuais ineficiências. Governar exige equilíbrio, não intimidação.

RELAÇÃO

Outro compromisso reiterado foi a pavimentação da ligação de União Bandeirantes à BR-364, obra que Marcos Rogério associou ao entendimento firmado com o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes. O governador eleito agradeceu o empenho do prefeito em sua campanha e reafirmou a disposição de manter a parceria administrativa. A aliança política, agora, precisará demonstrar utilidade fora do período eleitoral. No entanto, pela disposição do governador será uma relação duradoura.

PREVIDÊNCIA

A previdência estadual também entrou na conversa. Marcos Rogério manifestou preocupação com a situação do sistema e defendeu a união dos poderes para garantir o pagamento das aposentadorias dos servidores rondonienses. É um tema que não admite maquiagem contábil nem empurrões para o governo seguinte. O problema previdenciário exige diagnóstico, transparência e decisões responsáveis antes que a conta se torne ainda mais pesada. Manifestou preocupação com uma PEC que a forma da distribuição entre poderes do excesso da arrecadação que pode inviabilizar a previdência estadual.

INDEPENDENTES

Sobre a presidência da Assembleia Legislativa, o governador eleito afirmou que não pretende interferir na escolha, por considerar que isso representaria uma intromissão de um poder sobre outro. Ao mesmo tempo, confirmou que vem conversando com deputados eleitos de seu entorno político, mais de 14, sobre a possibilidade de escolha de um presidente alinhado aos interesses do Estado e da população rondoniense.

TRANSIÇÃO

Marcos Rogério confirmou ainda que anunciará, na próxima quinta-feira, os nomes que integrarão a equipe de transição. Segundo ele, o grupo será formado exclusivamente por técnicos, encarregados de levantar informações e apresentar um diagnóstico completo da administração estadual. A partir desse relatório, serão definidas as diretrizes dos primeiros 120 dias de governo.

NOMES

O governador eleito evitou antecipar os integrantes da equipe. A coluna, entretanto, apurou que o deputado federal eleito Jaime Gazola recebeu convite, assim como Cristiano Pereira, secretário municipal de Saúde de Ji-Paraná. Os nomes ainda precisam ser confirmados oficialmente. Veremos se serão confirmados ou são meras especulações.

OTIMISMO

A transição será o primeiro teste concreto da disposição de Marcos Rogério de governar com base em dados, critérios técnicos e planejamento. Antes de anunciar grandes mudanças, será preciso saber exatamente o que receberá, quanto poderá gastar e quais problemas exigirão intervenção imediata. A entrevista ao Resenha Política deixou claras as intenções do governador eleito. Há promessas relevantes, sinalizações de responsabilidade fiscal e disposição declarada para enfrentar gargalos antigos. Mas a administração pública não costuma se impressionar com boas intenções. O que começa como promessa precisa sobreviver ao orçamento, à burocracia, às pressões políticas e aos interesses instalados. Embora o governador seja otimista.

GOVERNAR

Marcos Rogério tem quatro anos para provar que a vitória eleitoral não foi apenas uma mudança de comando, mas o início de uma transformação administrativa. A população não lhe concedeu um mandato para explicar por que os problemas existem. Concedeu-lhe a oportunidade de resolvê-los. E a disposição do governador, conforme discorre em toda entrevista, é fazer um governo técnico e eficiente que possa fazer as entregas que a população almeja.

CONGRESSO

A leitura das urnas para a Câmara Federal em Rondônia produziu algumas surpresas que merecem ser registradas sem a paixão das torcidas e com a frieza que a política exige depois que os votos são contados. Entre elas, duas chamaram particularmente minha atenção: as reeleições do coronel Chrisóstomo e do delegado Thiago Flores.

SURPRESAS

Ambos fizeram campanhas menos barulhentas do que boa parte dos concorrentes. Não foram protagonistas permanentes dos holofotes da capital, tampouco ocuparam o espaço midiático reservado aos candidatos que transformam cada aparição em espetáculo. Ainda assim, cresceram eleitoralmente em relação a 2022 e saíram das urnas com uma resposta bastante objetiva: foram aprovados pelo eleitor.

VEREDICTO

É preciso reconhecer. Este colunista não os colocava entre os favoritos para uma reeleição tão confortável. A urna, mais uma vez, mostrou que a política não se faz apenas de manchetes, pesquisas, redes sociais e palanques ruidosos. Há um eleitor silencioso que observa, compara e, quando chega a hora, deposita o voto onde bem entende. Chrisóstomo e Thiago Flores encontraram esse eleitor. As duas reeleições, portanto, merecem ser reconhecidas pelo resultado obtido e pelo desempenho eleitoral superior ao de 2022. Mais do que qualquer narrativa construída antes da votação, foi o eleitor quem deu o veredicto nas urnas.

DECEPÇÃO

A surpresa negativa ficou por conta de Rafael Fera. Durante boa parte da campanha, pesquisas o apresentavam disputando as primeiras posições, em alguns momentos rivalizando diretamente com Lúcio Mosquini. Abertas as urnas, porém, o cenário desenhado por essas pesquisas não se confirmou. Fera encolheu e Mosquini terminou na primeira posição entre os candidatos à Câmara em Rondônia.

OBTUSO

E não foi uma primeira colocação qualquer. Mosquini alcançou a terceira maior votação proporcional para deputado federal no país. Um resultado dessa dimensão merece registro e reconhecimento, independentemente de preferências políticas. Há, inclusive, uma pequena ironia no episódio. Durante o podcast Resenha Política, este cabeça chata comentou uma pesquisa que colocava Fera na disputa pela primeira posição com Mosquini. O resultado da urna mostrou outra fotografia. A partir daquele comentário, alguém que decidiu transformar a divergência política em provocação passou a utilizar imagens do programa, sem autorização, para tentar distorcer a análise feita à época. Coisa de obtuso.

RESULTADO

É o velho método de recortar o passado para fabricar uma narrativa no presente. Só esqueceram de uma coisa: pesquisa é pesquisa, comentário é comentário e urna é urna. Depois que os votos são contados, não há edição de vídeo capaz de alterar o resultado. E, nesse caso, a realidade eleitoral falou mais alto do que qualquer montagem.

PARCERIA

Embora o serviço de emergência da Polícia Militar (190) e do Corpo de Bombeiros (193) terem ficado indisponíveis esta semana, devido defeito interno na subestação privada das corporações, a Energisa, ao saber do problema, e da importância desses serviços para a população, prontamente executou a troca do transformador da corporação e emprestou um equipamento novo até que o antigo seja consertado. Com isto os serviços foram restabelecidos para atender a população. A parceria da empresa energia com os órgãos públicos é fundamental para que os serviçõs não sofram descontinuidade.

Autor: | Fonte: www.rondoniadinamica.com

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