Guedes diz que não pode aumentar salário mínimo porque vai “gerar desemprego”

Em nome da “empregabilidade”, o trabalhador não vai conseguir sequer fazer compras nos supermercados.

O brasileiro está fadado a morrer de fome por conta da incompetência da atual equipe econômica em conceder um reajuste no salário mínimo. Em nome da “empregabilidade”, o trabalhador não vai conseguir sequer fazer compras nos supermercados.

Nesta terça-feira, Paulo Guedes, o ministro da Economia, argumentou que a concessão de um aumento real ao salário mínimo poderia elevar a taxa de desemprego no País. “Hoje, se você der um aumento de salário mínimo, milhares e talvez milhões de pessoas serão demitidas. Estamos no meio de uma crise terrível de emprego. Dar aumento de salário é condenar as pessoas ao desemprego”, afirmou, em audiência pública na comissão mista do Congresso Nacional que acompanha a execução das medidas de enfrentamento à pandemia de covid-19.

O governo federal propôs na segunda-feira, 31, um salário mínimo de R$ 1.067 para 2021, segundo a proposta de Orçamento do ano que vem. O valor representa um aumento de R$ 22 em relação ao salário mínimo atual, de R$ 1.045. O reajuste, se aprovado pelo Congresso, começará a valer em janeiro de 2021, com pagamento a partir de fevereiro.

O novo valor também equivale a uma perda de R$ 12 na comparação com os R$ 1.079 propostos em abril deste ano para 2021. A explicação para essa queda tem a ver com o fato de o governo prever um aumento somente com base na inflação de 2020.

Como a previsão para a inflação deste ano recuou, o salário mínimo também terá um reajuste menor. Em abril, o governo previa que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teria alta de 3,27% em 2020, valor que caiu para 2,09% em julho.

O valor do salário mínimo proposto pelo governo para o ano que vem tem correção somente pela inflação, ou seja, pela estimativa do governo para o INPC. Esse formato já foi adotado neste ano, quando a área econômica concedeu reajuste somente com base na inflação do ano passado.

Também nesta terça-feira, o IBGE revelou que o PIB do Brasil despencou 9,7%, levando o país a recessão e o PIB ficou no mesmo patamar do final de 2009, auge dos impactos da crise global provocada pela onda de quebras na economia americana. No 1º trimestre, a economia já tinha regredido ao patamar de 2012. Ou seja, em 3 meses, o PIB brasileiro andou 3 anos para trás.

O aumento do salário mínimo nada tem a ver com empregabilidade. O desemprego vai continuar aumentando devido a falta de políticas econômicas claras e planejadas. O governo segue firme nas privatizações e concedendo reajustes para os setores de energia, telefonia e água. Ao mesmo tempo, os salários reduzem e os empregos continuam desaparecendo.

Por Painel Político

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