Mariana Carvalho (União Brasil), ex-deputada federal por dois mandatos e candidata ao Senado Federal por Rondônia, intensificou sua campanha eleitoral na última segunda-feira (24) com uma agenda de rua na Zona Leste de Porto Velho. Acompanhada do candidato a deputado estadual Fernando Silva no bairro Marcos Freire e do candidato a deputado estadual Dr. Santana no Residencial Porto Madero 2, a médica e bacharel em Direito ouviu demandas de moradores sobre saúde, infraestrutura, segurança e mobilidade — e reforçou uma das marcas que pretende levar para Brasília: presença e diálogo.
A estratégia de campanha de Mariana Carvalho não é nova. Eleita deputada federal em 2014 com 60.324 votos (7,55%) e reeleita em 2018 com 38.776 votos (4,95%), ela acumulou oito anos de mandato na Câmara dos Deputados, período em que chegou a ocupar o cargo de 2ª Secretária da Casa (2017-2019) e foi vice-líder do PSDB. A experiência, no entanto, não se traduziu em vitoriosa nas urnas em 2022, quando concorreu ao Senado e ficou na segunda colocação com 263.522 votos (32,08% dos válidos), superada por Jaime Bagattoli, que recebeu 293.396 votos (35,81%).
“Eu acredito muito nessa política de ouvir. Quem mora aqui sabe exatamente o que precisa melhorar. Meu papel é escutar, entender essas necessidades e levar essas demandas para Brasília, buscando caminhos e recursos para transformar a realidade.”
— Mariana Carvalho, candidata ao Senado Federal (União Brasil)
Como a agenda na Zona Leste traduz a estratégia de campanha
Os bairros percorridos por Mariana Carvalho — Marcos Freire e Residencial Porto Madero 2 — representam um eleitorado de perfil médio e médio-baixo na capital rondoniense, com demandas recorrentes por infraestrutura, saúde pública e segurança. Ao escolher esses territórios para uma agenda de escuta, a candidata sinaliza que pretende recompor sua base fora do centro da cidade, onde a concorrência eleitoral é mais acirrada e onde o voto costuma ser mais volátil.
Durante os encontros, a candidata destacou que conhecer as necessidades da população é fundamental para construir propostas que “realmente façam sentido”. Para ela, estar nas comunidades permite compreender de perto problemas que “muitas vezes não aparecem nos números”. A retórica combina duas mensagens: a do gestor técnico — alguém que sabe ler dados e destinar recursos — e a do representante comunitário — alguém que está no chão, ouvindo quem vive a realidade.
A presença de candidatos a deputado estadual ao lado de Mariana reforça outro pilar da estratégia: a construção de uma chapa territorial. Fernando Silva e Dr. Santana atuam como multiplicadores de alcance em regiões específicas da capital, enquanto a candidata ao Senado carrega a bandeira do nome nacional. É um modelo clássico de campanha proporcional-majoritária, em que o voto para o Senado arrasta o voto para a Assembleia Legislativa — e vice-versa.
A reconstrução do capital político após duas derrotas
A trajetória eleitoral de Mariana Carvalho nos últimos quatro anos é um estudo de caso sobre a volatilidade do voto em Rondônia. Em 2022, ela obteve a maior votação já registrada para uma mulher ao Senado no estado — 263.522 votos —, mas não se elegeu porque a vaga era única naquele ciclo. Em 2024, liderou o primeiro turno para a Prefeitura de Porto Velho, mas viu a vantagem evaporar no segundo turno.
“Eu não quero fazer uma campanha distante das pessoas. Quero estar nas ruas, ouvir as famílias e construir junto. Porque é assim que a gente sabe onde precisa trabalhar e onde pode fazer a diferença. Eu já fiz muito por Rondônia e quero, no Senado, fazer ainda mais.”
— Mariana Carvalho, candidata ao Senado Federal (União Brasil)
O que está em jogo na disputa pelo Senado em Rondônia
Em 2026, Rondônia elegerá dois senadores — diferentemente de 2022, quando apenas uma vaga estava em disputa. A mudança no formato altera completamente a matemática eleitoral. Mariana Carvalho já demonstrou capacidade de atrair mais de 260 mil votos, um volume que, em uma eleição para duas vagas, pode ser suficiente para a eleição. O desafio, porém, é manter esse eleitorado fiel enquanto concorre com nomes consolidados e novas lideranças que emergem no estado.
A convenção da Federação União Progressista, realizada no dia 3 de agosto de 2026, em Porto Velho, homologou Mariana como pré-candidata ao Senado ao lado de Silvia Cristina, também candidata ao Senado, e de Hildon Chaves como candidato ao governo do estado. Na ocasião, Mariana defendeu a eleição de duas mulheres para o Senado: “Rondônia terá uma oportunidade única de eleger duas mulheres para o Senado, com voz ativa e trabalho voltado para o estado.”
A composição da chapa revela uma tentativa de unificar o campo de centro-direita em Rondônia. Hildon Chaves, ex-prefeito de Porto Velho, é apontado por Mariana como um gestor que “transformou a capital” e deixou “uma Porto Velho antes e outra depois”. A aliança busca transferir para Mariana parte do capital político construído por Chaves na capital, enquanto a candidata ao Senado oferece ao grupo uma figura com experiência parlamentar em Brasília.
O eleitor que Mariana Carvalho precisa reconquistar
A agenda na Zona Leste deixa claro que a candidata aposta em um eleitorado que valoriza a presença física do político e a promessa de destinação de recursos. Durante seus dois mandatos como deputada federal, Mariana Carvalho foi reconhecida como a parlamentar que mais destinou recursos para Porto Velho. Esse histórico é a moeda de troca que ela tenta converter em voto: a promessa de que a experiência adquirida na Câmara dos Deputados pode ser replicada — e ampliada — no Senado Federal.
O problema é que o eleitor rondoniense mostrou, em 2022 e em 2024, que reconhecimento não garante lealdade. A candidata precisa não apenas lembrar o que fez, mas convencer que fará mais — e que, desta vez, o voto será suficiente para eleger. A estratégia de rua, com agendas como a da última segunda-feira, é a aposta para reatar essa conexão.
A receptividade dos moradores do Marcos Freire e do Porto Madero 2, segundo a campanha, foi positiva. Mas em uma eleição para duas vagas ao Senado, a competição será por uma fatia maior de um eleitorado fragmentado entre governismo, oposição e candidaturas de centro. Mariana Carvalho entra nesse tabuleiro com um nome conhecido, um histórico de destinação de recursos e uma marca pessoal construída em torno da escuta.
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Autor: | Fonte: painelpolitico.com