MP pede inelegibilidade de José Roberto Arruda até 2030 no DF

A Procuradoria Regional Eleitoral do Distrito Federal solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF) o indeferimento do registro da candidatura do ex-governador José Roberto Arruda (PSD) ao governo local. O Ministério Público Eleitoral argumenta que o político permanece inelegível até dezembro de 2030 em razão de condenações definitivas por improbidade administrativa, exigindo o cancelamento preventivo de eventual diplomação.

Condenações da Caixa de Pandora blindam o pedido do MP

Na manifestação, a Procuradoria ancora seu pedido em sentenças confirmadas pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). O ponto de partida é uma condenação de 11 de dezembro de 2018, envolvendo pagamentos irregulares do governo do DF à empresa Linknet entre 2007 e 2009.

A Justiça identificou um suposto esquema em que valores pagos por meio de reconhecimento de dívida foram superfaturados para viabilizar repasses ilegais e propinas. Arruda foi condenado a reparar solidariamente R$ 11,8 milhões em prejuízos aos cofres públicos, além de multa e suspensão dos direitos políticos por oito anos.

“A parte impugnada encontra-se inelegível desde 11/12/2018”, afirma o Ministério Público, sustentando que a restrição se estende por 12 anos, “ou seja, até 11/12/2030”.

A matemática da inelegibilidade e a legislação de 2025

O cálculo do período de impedimento ganhou contorno específico com a alteração da Lei de Inelegibilidades em 2025, que estabeleceu novos limites para a soma de períodos de inelegibilidade em casos de múltiplas condenações.

O Ministério Público considera que as diferentes condenações de Arruda não tratam de fatos juridicamente conexos. Por isso, sustenta que o período total de impedimento chega a 12 anos. Das sete sentenças condenatórias citadas na manifestação, seis são consideradas para a eleição deste ano por terem sido confirmadas por órgão colegiado há menos de oito anos do pleito.

Uma condenação mais antiga, confirmada em 2014, foi excluída do cálculo. Segundo a Procuradoria, os efeitos eleitorais desse caso específico terminaram em julho de 2022 e não podem ser retomados sob a nova regra.

O peso político da decisão no cenário eleitoral

Além do caso Linknet, o documento recupera episódios emblemáticos da Operação Caixa de Pandora. Em um dos processos citados, o TJDFT manteve, por unanimidade em junho deste ano, a condenação de Arruda por vantagens indevidas pagas pela empresa Call Tecnologia.

Nesse caso, a Justiça apontou o ex-governador como responsável pelo desvio, determinando o ressarcimento de R$ 257 mil, multa no mesmo valor e suspensão dos direitos políticos por 12 anos. A decisão descreveu um “esquema sistemático de corrupção, com pagamento de propinas a agentes públicos a partir de contratos administrativos irregulares”.

Agora, Arruda terá sete dias para apresentar sua defesa. Caberá ao TRE-DF decidir se aceita o pedido do Ministério Público. A Procuradoria pede que a ação seja julgada procedente para “indeferir o pedido de registro de candidatura” ou, subsidiariamente, determinar o cancelamento do diploma caso ele venha a ser concedido e empossado antes do trânsito em julgado definitivo.

A manobra do Ministério Público não é apenas uma formalidade processual; é um teste de estresse para a jurisprudência eleitoral do Distrito Federal. Ao acionar o gatilho da inelegibilidade com base em um histórico robusto de condenações colegiadas, o MP desafia a capacidade de Arruda de viabilizar sua candidatura sob a nova legislação de 2025.

Resta saber se a defesa conseguirá encontrar brechas técnicas na interpretação da soma dos prazos ou se o TRE-DF optará pela aplicação literal da lei. A resposta definirá não apenas o destino político do ex-governador, mas também o equilíbrio de forças na disputa pelo Palácio do Buriti.

Autor: | Fonte: painelpolitico.com

Comments (0)
Add Comment