PORTO VELHO, RO – Professores aposentados e pensionistas do ex-território de Rondônia denunciam o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) por retrocessos no processamento de suas folhas de pagamento. Segundo relatos recebidos pela redação, a centralização dos serviços em Brasília, após uma recente mudança nas regras da Diretoria de Centralização de Serviços de Inativos, Pensionistas e Órgãos Extintos (Decipex), gerou atrasos severos na inclusão de novos aposentados e na concessão de gratificações.
Centralização e burocracia
Até então, o atendimento local era realizado pela Divisão de Pessoal no Ex-Território Federal de Rondônia (Digep), que funciona desde a década de 1990 no antigo prédio da Embratel, na Avenida Calama, em Porto Velho. No entanto, o MGI determinou que a Digep se foque exclusivamente nos servidores ativos, transferindo a demanda dos inativos para a capital federal.
A alteração impactou diretamente os docentes enquadrados na carreira do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT). Há meses, processos administrativos concluídos de aposentadorias e gratificações estão travados, sem previsão de implantação na folha salarial. “Mudaram algo que funcionava bem, criando incertezas na vida de servidores idosos, que dependem desses valores para custear despesas com saúde e idade avançada”, aponta uma das reclamações enviadas à reportagem.
Mudança no perfil do comando regional
Além dos problemas operacionais, a categoria questiona a atual liderança política do setor. Em 2023, o governo federal criou uma diretoria unificada para coordenar as representações dos três ex-territórios (Amapá, Rondônia e Roraima), nomeando José Carlos dos Santos para o cargo .
Esta é a primeira vez em mais de 30 anos que a liderança regional não é ocupada por um técnico local. Embora o sindicato e os servidores ressaltem que não há objeção pelo fato do gestor não ser do Norte, a escolha gerou críticas internas sobre a falta de valorização dos mais de 10 mil servidores do estado que conhecem a realidade da região.
A situação é tão grave que há notícia que os sindicatos da categoria, Sintero e Sindsef, estão indignados com a situação, inclusive podendo fazer ruidosas manifestações nos próximos dias.
Se não resolvida a contento o caso, ele poderá gerar prejuízos na campanha à reeleição do presidente Lula e também nas candidaturas locais, principalmente na da ex-senadora Fátima Cleide, candidata a deputada estadual pelo PT, pois circula entre os servidores que José Carlos é uma indicação política dela ou do grupo interno do PT do qual ela faz parte.
Claro que ninguém vai assumir a indicação, mas há um ditado que diz que jabuti não sobe em árvore. Se ele está lá, é porque alguém o colocou. Que isso não prejudique os velhinhos aposentados que fizeram tanto pelo estado de Rondônia e pelo Brasil.
O espaço segue aberto para manifestação do Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) e da direção da Decipex sobre os atrasos citados. E melhor ainda se trouxerem noticias que o problema foi resolvido.
Carlos Terceiro, Nahoraonline