Uma operação nacional contra o crime organizado cumpre, nesta quarta-feira (16), 106 prisões e 173 mandados de busca e apreensão em 19 estados. Batizada de Força Integrada IV e coordenada pela Polícia Federal (PF), a ação atinge grupos investigados por tráfico de drogas e armas, homicídios, extorsão e lavagem de dinheiro. As decisões judiciais também determinaram mais de R$ 508 milhões em bloqueios e outras restrições patrimoniais — imóveis, veículos, dinheiro e demais bens ligados aos investigados.
O modelo das forças integradas
A operação reúne simultaneamente 20 bases das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs). O conceito é o que a PF vem transformando em marca: em vez de cada polícia atuar de forma isolada, as forças trabalham juntas. As FICCOs reúnem Polícia Federal, polícias civis, militares e penais, Polícia Rodoviária Federal, guardas municipais e outros órgãos de segurança, conforme a composição de cada estado.
É a quarta edição dessa mobilização coordenada — as anteriores, ao longo de 2026, já haviam somado centenas de prisões e mandados, e o modelo passou a ser apresentado pela PF e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública como referência de atuação conjunta contra facções.
As maiores frentes: Tocantins e Bahia
Duas investigações concentram os números mais expressivos.
A maior medida patrimonial está no Tocantins. A Operação Rota Araguaia II apura um núcleo logístico e financeiro ligado ao tráfico internacional de drogas e à lavagem de dinheiro, e teve autorizado o bloqueio de até R$ 412,5 milhões — sozinha, a maior parte de todo o valor bloqueado na operação nacional.
A Bahia concentra a maior frente em número de prisões. A Operação Eirene II cumpre 45 prisões e 57 mandados de busca contra uma organização investigada por tráfico, homicídios, extorsão, lavagem e posse ilegal de armas, com medidas sobre mais de R$ 12 milhões em patrimônio. Já em Mato Grosso do Sul, uma investigação sobre organização com atuação em vários estados resultou em 14 buscas, duas prisões e autorização para apreensão de bens de até R$ 75 milhões.
O alcance nacional — e o Norte
Além dessas, há operações simultâneas contra diferentes grupos em um amplo conjunto de estados: Paraíba, Acre, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Pernambuco, Roraima, Ceará, Amapá, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Pará e Rio Grande do Sul.
A presença de estados da Amazônia e do Norte na lista não é casual: a região é rota estratégica do tráfico internacional, e edições anteriores das forças integradas já haviam mirado organizações com atuação territorial na área — incluindo, em maio, uma frente em Porto Velho. O combate ao crime organizado no Norte tem sido, cada vez mais, parte central desse tipo de mobilização nacional.
O que a operação sinaliza
Mais do que o número de presos, a marca desta geração de operações é o foco no patrimônio. Os mais de R$ 508 milhões bloqueados — com uma única investigação, no Tocantins, respondendo por R$ 412,5 milhões — revelam uma estratégia que vai além de prender: busca sufocar a estrutura financeira que sustenta as facções. Atacar o dinheiro do crime, e não só seus operadores, é a aposta de que se desmonta uma organização mais pela falência do que pela cadeia. Resta saber se o bloqueio determinado no papel se converterá, ao fim dos processos, em perda efetiva — o ponto em que investigações desse porte costumam ser, de fato, testadas.
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Autor: | Fonte: painelpolitico.com