Nenhuma das seis pesquisas de intenção de voto divulgadas ao longo da campanha ao governo de Rondônia projetou o resultado que Marcos Rogério (PL) obteve no primeiro turno: 57,02% dos votos válidos, eleição matematicamente definida sem necessidade de segundo turno. Levantamos o histórico completo de pesquisas de três institutos — Real Time Big Data, Quaest e Instituto Phoenix — e comparamos com o resultado oficial.
A trajetória das pesquisas
É importante marcar o que os números mostram: a distância entre pesquisa e resultado para Rogério foi diminuindo ao longo da campanha — de -21 pontos em julho (RTBD) para -4 pontos na véspera (Quaest) —, mas nunca chegou a zero. Mesmo a pesquisa mais recente, feita a menos de 48 horas da votação, ficou abaixo do resultado real.
A pesquisa mais próxima: Quaest da véspera
Entre as seis pesquisas, a que mais se aproximou do resultado final foi a Quaest divulgada no sábado (3), véspera da votação, com 53% para Rogério — uma diferença de 4,02 pontos percentuais para menos em relação ao resultado oficial. É também a única pesquisa que testou o eleitorado depois do fim da propaganda eleitoral gratuita, o que pode explicar a maior proximidade com o resultado real.
O outro lado da história: o colapso de Adailton Fúria
Se a subestimação de Rogério já chama atenção, o caso de Adailton Fúria é ainda mais acentuado. Ao longo da campanha, as pesquisas o colocaram numa faixa relativamente estável — entre 19% e 32% no cenário estimulado, com pico justamente na pesquisa de 25 a 29 de setembro (Real Time Big Data), quando marcou 32%. No resultado oficial, porém, Fúria terminou com 14,66% dos votos válidos — abaixo até da pesquisa mais antiga do levantamento, a Instituto Phoenix de agosto (19,35%).
Ou seja: não foi só que as pesquisas erraram para baixo a força de Rogério — elas também superestimaram consistentemente a de seu principal adversário, em todas as rodadas, de todos os institutos.
Por que isso pode ter acontecido
Há explicações possíveis, mas nenhuma delas pode ser tratada como fato comprovado a partir dos dados que temos — informação insuficiente para verificar uma causa única. Hipóteses levantadas por analistas em situações semelhantes incluem: efeito manada ou consolidação de voto nos últimos dias de campanha (quando o eleitor migra para quem já aparece à frente, fenômeno mais difícil de capturar em pesquisas feitas dias antes da votação); e a possibilidade de que parte do eleitorado indeciso nas pesquisas — a Quaest de setembro registrava 19% de indecisos — tenha se decidido majoritariamente por Rogério no fim da campanha.
O padrão identificado em Rondônia — pesquisas sistematicamente abaixo do resultado final do líder, mesmo na última rodada antes da votação — é um dado relevante para a leitura de pesquisas em eleições futuras no estado, e reforça a prática já recomendada por institutos de pesquisa: tratar qualquer levantamento, por mais recente que seja, como uma fotografia do momento da coleta, não uma previsão do resultado final.
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Autor: | Fonte: painelpolitico.com