Dois produtores de soja e o dono de uma propriedade rural são acusados de causar intoxicação por agrotóxicos a indígenas da etnia Puruborá, em Rondônia. Adultos e crianças que vivem na aldeia Aperoí apresentaram graves lesões na pele, além de dores de cabeça e náuseas. Uma família precisou abandonar a própria casa, cercada por plantações, após a exposição contínua aos venenos.
Para cobrar a responsabilização pelos danos causados, o Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pedindo indenizações que somam R$ 3,6 milhões. São alvos o proprietário e o arrendatário da terra
Os réus são acusados de contaminar o rio Manoel Correia, fonte de abastecimento e de alimento para as famílias indígenas que residem no território tradicional, provocando mortandade de peixes.
A denúncia aponta que os produtores abriram valas de drenagem artificiais dentro da lavoura, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais, em desacordo com as regras de Áreas de Preservação Permanente (APP), o que fez com que águas contaminadas chegassem diretamente ao leito do rio.
Além disso, o documento aponta danos ao Sítio Arqueológico Puruborá. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) esteve no local e encontrou diversos fragmentos de cerâmicas ancestrais que foram danificados pelo uso de tratores no solo.
Cenário de pressão
Tudo isso acontece em meio a um cenário de conflito. O povo Puruborá passa por um processo de demarcação de terras marcado por graves tensões e pela resistência de proprietários rurais da região. Durante os trabalhos conduzidos pela Funai, episódios de violência foram registrados. Segundo o MPF, disparos de revólver atingiram uma residência indígena.
A situação se agravou ainda mais em outubro de 2025, quando uma maloca sagrada foi destruída em um incêndio criminoso. Os ataques são investigados pela Polícia Federal. (Veja o vídeo abaixo)
“Esse incêndio não destruiu apenas uma estrutura física. Foi uma tentativa de apagar nossa história e nossa força como povo”, afirmou uma liderança Puruborá à época.
O g1 procurou representantes do povo Puruborá, mas eles optaram por não comentar o caso temendo retaliações.
Via G1 / RO