Serviço está disponível no aplicativo Meu SUS Digital e também contempla mulheres
que cuidam de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou
doenças raras
O Ministério da Saúde disponibiliza, a partir desta segunda-feira (24), 100 mil teleatendimentos
mensais em saúde mental para mulheres em situação de violência e mães atípicas de todo o
Brasil. A iniciativa também contempla outros familiares que cuidam de pessoas com
deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. Durante agenda na
Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), participaram do anúncio a senhora
Janja da Silva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que apresentaram e demostraram como
funciona o serviço, disponível no Meu SUS Digital. A medida amplia o acesso à proteção e ao
cuidado, para que nenhuma mulher precise enfrentar situações de vulnerabilidade sozinha.
Também estiveram presentes a ministra de Estado da Igualdade Racial, Rachel Barros, a
ministra de Estado das Mulheres, substituta, Eutália Barbosa, e a diretora de Atenção Integral
da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS – AgSUS, Luciana Maciel.
A empresária, atriz, modelo, palestrante e ativista pelos direitos das mulheres, Luiza Brunet,
também participou da ocasião e reforçou a importância de ferramentas voltadas às mulheres no
enfrentamento do ciclo de violência. As notificações de violência física, psicológica, sexual ou
financeira contra mulheres, registradas por serviços de saúde públicos e privados, passaram
de 167,4 mil, em 2015, para 348,5 mil, em 2025 — um aumento de mais de 100% em dez anos.
Os números reforçam a urgência de ampliar o acolhimento e garantir escuta e assistência
humanizada.
A iniciativa para mulheres em situação de violência começou em março deste ano, como
projeto-piloto nas cidades de Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ). Agora, as consultas remotas
contemplam todos os estados brasileiros, além da inclusão de outro público: mães, tias, avós,
irmãs e outras familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do
neurodesenvolvimento ou doenças raras, podem acessar o serviço.
Quem tem o aplicativo Meu SUS Digital instalado no celular já recebeu uma notificação sobre
a nova oferta do teleatendimento, com a mensagem: “Mulheres em situação de violência ou
que cuidam de familiares com deficiência ou doenças raras podem agendar teleconsulta com
especialista. Toque aqui e conheça o Acolhe Mais”. O recado é importante para que as mulheres
conheçam o serviço e busquem apoio.
Passo a passo para acessar o serviçoPara acessar o atendimento, é preciso acessar o aplicativo Meu SUS Digital, com a conta
gov.br. Na plataforma, a usuária deve clicar em “Miniapps” e selecionar Acolhe Mais + – Agora
Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres. Em seguida, será direcionada para a
plataforma da AgSUS, onde fará o cadastro e será direcionada de acordo com o seu caso: está
vivendo ou viveu algum tipo de violência ou é cuidadora de alguém. Em até 24 horas, a equipe
entrará em contato para que a usuária escolha o dia e o horário da consulta. Até a data
agendada, ela receberá lembretes e, no dia, o link para acessar o teleatendimento.
No caso de violência, no primeiro contato, serão avaliados possíveis riscos, a rede de apoio e
as principais demandas da mulher. Cada usuária poderá realizar até 10 sessões, com
possibilidade de iniciar um novo ciclo quando necessário. Ao final das sessões, a pessoa
poderá ser encaminhada para a continuidade do cuidado em um Centro de Atenção
Psicossocial (CAPS) ou em outro serviço da rede. O CAPS também pode ser procurado
diretamente.
O teleatendimento está disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das
8h às 14h. A rede de profissionais é composta por psicólogas mulheres, para que as pacientes
se sintam mais seguras e confortáveis. As especialistas em saúde mental foram capacitadas
pelo Ministério da Saúde para realizar escuta sensível em ambiente virtual, com identificação
de situações de risco.
Em situações de risco imediato, a usuária será orientada a buscar atendimento de emergência
pelos canais adequados, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou a
Polícia Militar, pelo 190. Já para os casos graves que não exijam intervenção emergencial
naquele momento, profissionais responsáveis pela articulação do cuidado com os serviços de
saúde do território poderão realizar os encaminhamentos necessários, de acordo com as
necessidades identificadas.
Quem cuida também precisa de cuidado
No cenário global, 75% do trabalho de cuidado não remunerado é realizado por mulheres,
segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). É nesse contexto que o serviço de
teleatendimento amplia as possibilidades de acesso à assistência, especialmente para
mulheres que cuidam, sem remuneração, de pessoas com deficiência, transtornos do
neurodesenvolvimento ou doenças raras.
A iniciativa considera desafios como a distância, a dificuldade de deslocamento e a falta de
tempo, tão presentes na rotina de quem dedica grande parte do dia ao cuidado de outras
pessoas. Assim, essas mulheres passam a contar com um espaço de escuta e atenção à
própria saúde, sem precisar deixar de lado as responsabilidades que fazem parte do seu dia
a dia.Em 2023, o Ministério da Saúde atualizou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da
Pessoa com Deficiência (PNAISPD), prevendo ações e serviços também para familiares. O
Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres dá continuidade a esse cuidado e
reforça o compromisso do SUS com a saúde de quem cuida.
Julianna Valença
Ministério da Saúde