Em entrevista ao G1, Anderson Gabriel, 38 anos, contou que caminhava sozinho na praia quando decidiu tomar um banho de mar. O turista conta que ficou dentro da água por cerca de 40 minutos e saiu quando o corpo começou a arder.
A Vigilância em Saúde Ambiental de Ilhéus investiga se o caso do turista tem relação com as manchas de óleo que atingem o município.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Ilhéus recomenda aos turistas que entrarem em contato com o óleo. Se houver reação alérgica, ou ingestão incidental, é preciso procurar um posto de saúde mais próximo. Recomenda-se usar água e sabão, fazer fricção mecânica e evitar retirar o produto com soluções tóxicas.
Desde que manchas de óleo cru começaram a atingir o litoral, em agosto, foram retiradas aproximadamente 3,8 mil toneladas de resíduos de óleo das praias nordestinas.
Cuidados necessários
O óleo traz substâncias perigosas e que podem trazer riscos à saúde humana, fazendo com que deva ser evitado o contato com a pele. Ele pode gerar alergias ou até, dependendo da absorção da pele, entrar na corrente sanguínea e trazer danos. Em casos mais severos pode inclusive levar ao câncer.
“Estou vendo em campo muita gente engajada em ajudar a limpar as praias, mas é importante que as pessoas que querem ajudar verifiquem se de fato têm os equipamentos de proteção individual [EPIs] adequados“, diz Ícaro Moreira, professor e pesquisador do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Materiais que devem ser usados e recomendações:
– Uso de máscaras (principalmente no horário do início da tarde, quando é mais quente, pois no contato com sol o óleo libera vapores altamente tóxicos);
– Luvas de PVC (não usar luvas cirúrgicas);
– Botas (de plástico ou outro material impermeável). Não usar tênis, bota de trilha nem ir descalço;
– Usar calças (não traje de banho). Se sujar a roupa, ela deve ser descartada;
– Carro de mão para armazenar o material retirado;
– Pás adequadas (de plástico ou inox);
– Armazenar o material em tambores, bombonas ou tonéis e deixar o material fechado, pois trata-se de material inflamável (não usar saco de lixo de plástico, pois o óleo pode rasgar os sacos). A destinação deve ser definida pelo Ibama e cabe ao município cumprir;
– Ao ver um animal afetado pelo óleo, não o devolva para o mar nem tente fazer nenhum procedimento, a não ser uma manobra de emergência para retirar o óleo de vias respiratórias. É importante manter o animal na sombra e hidratado. Procure especialistas, órgãos ambientais ou organizações que podem realizar os procedimentos adequados;
– É complicado retirar o óleo de rochas. Evite subir nestes locais que podem ocasionar quedas. Uma forma de limpar é com jato de água quente, pois é necessário muita força para conseguir extrair o material. Quando o material escoar, use material absorvente, como tecidos ou até biofibras, como fibra de coco que se aderem ao óleo;
– Em situações em que o óleo esteja mais fluido, é possível usar materiais absorventes, como tecidos e também fibra de coco. Este óleo pode ser reaproveitado e deve ser armazenado em local diferente daqueles não fluidos.
Catraca Livre
Foto: © Arquivo Pessoal