A Itália enfrenta uma onda de protestos de caminhoneiros e agricultores que, desde a última sexta-feira (16 de outubro), bloqueiam rodovias em pelo menos cinco regiões do sul do país contra o alto custo do combustível. Pedágios, acessos a portos, refinarias e trechos de estradas estaduais e federais foram interditados, com risco de desabastecimento em supermercados e farmácias caso a paralisação se prolongue.
Onde estão os bloqueios
Os protestos, que começaram de forma espontânea e se espalharam por redes sociais e grupos de aplicativos de mensagens, atingem:
– Puglia: bloqueios em Brindisi (na via que leva a Lecce), Foggia (estrada SS17, com posto fixo no pedágio de Poggio Imperiale, na A14) e Taranto, onde trabalhadores da ex-siderúrgica ILVA se juntaram ao movimento e chegaram a impedir o acesso de caminhões-tanque à refinaria da Eni.
– Calábria: cerca de 15 pontos de protesto, incluindo bloqueios perto do aeroporto de Lamezia Terme, do porto de Gioia Tauro e das saídas da rodovia A2 na província de Cosenza. Em Crotone, manifestantes ocupam o presídio de Passovecchio desde 16 de outubro.
– Basilicata: cerca de 100 caminhões bloqueando a rodovia estadual SS106 Ionica, no cruzamento com a Fondovalle dell’Agri, em Scanzano Jonico.
– Campânia: pedágios interditados em Nola (A30), Caianello (A1) e Caserta Sud.
– Sicília: sem bloqueio de estradas, segundo o Comitê de Transportadores Sicilianos, mas com caminhões parados em pátios e recusa em descarregar mercadorias destinadas a supermercados nos portos, incluindo acesso impedido à refinaria de Augusta-Melilli.
Nesta reportagem não foi possível confirmar, em fontes verificáveis, o número específico de caminhões bloqueando as estradas em Brindisi — os números precisos variam por localidade e nem toda cobertura informa esse dado.
O que motiva o protesto
A principal queixa é o custo do diesel, que em setembro superou € 2,16 por litro em média no país — cerca de 35 centavos a mais que em fevereiro. Representantes do setor calculam um custo extra de centenas de euros por abastecimento: a Fedralog Calábria estima um aumento de cerca de € 600 por abastecimento (o equivalente a € 12 mil a mais por caminhão em seis meses), enquanto o Comitê de Transportadores Sicilianos fala em cerca de mil euros extras por abastecimento, somados a custos com travessias de balsa.
Agricultores também aderiram ao movimento, reclamando da queda no preço do azeite de oliva e da concorrência de grãos importados do Canadá e da Ucrânia, que consideram desleal.
Ultimato: “ou Roma ouve, ou vamos a Roma”
Em Crotone, o protesto reúne caminhoneiros e agricultores desde quinta-feira. Segundo relatos do local, o grupo deu um prazo: se não houver resposta concreta do governo até a próxima segunda-feira (19 de outubro), o movimento promete levar o protesto até a capital, com manifestação em frente ao Palácio Montecitorio (sede da Câmara dos Deputados italiana) e ao Ministério da Agricultura. Mario Pansini, da Fedralog Calábria, também afirmou que os caminhoneiros estão prontos para seguir até Roma caso não haja resposta até o dia 20 de outubro.
As categorias pedem a abolição total dos impostos sobre combustíveis (accise) ou a fixação de um preço controlado para o transporte.
Reação do governo
O Ministério das Infraestruturas e Transportes da Itália convocou representantes do setor de transporte para uma reunião marcada para 27 de outubro — data criticada por lideranças do setor, como Paolo Uggè (Fai e Unatras), que defende a antecipação de uma possível greve nacional de transporte.
A crise também ganhou repercussão política: o ex-premiê Giuseppe Conte (Movimento 5 Estrelas) visitou um dos pontos de protesto, perto de Maddaloni, na Campânia, e criticou a resposta do governo. Já Elly Schlein, líder do Partido Democrático, propôs um teto dinâmico para os preços dos combustíveis, revisado a cada 15 dias.
Associações de distribuidores farmacêuticos afirmam que o abastecimento de medicamentos segue regular por enquanto, mas a Federconsumatori da Sicília já alerta para o risco de prateleiras vazias e falta de produtos frescos caso a paralisação se estenda.
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Autor: | Fonte: painelpolitico.com