O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou, nesta quinta-feira (8), a vitória de Douglas Ruas (PL) no primeiro turno para o governo do Rio de Janeiro. Por 5 votos a 2, os ministros anularam os votos do terceiro colocado, Anthony Garotinho (Republicanos), elevando o percentual de Ruas a 50,88% dos votos válidos e encerrando uma disputa judicial que se arrastava desde março.
A decisão do TSE e a anulação de votos
O placar de 5 a 2 no TSE foi construído com base na inelegibilidade de Garotinho. O ex-governador foi condenado por improbidade administrativa relacionada a um desvio de recursos da saúde em 2005. Com base na Lei da Ficha Limpa, o tribunal concluiu que ele só estará apto a concorrer novamente em 2033.
O ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do caso, defendeu que a Justiça Eleitoral inevitavelmente interfere no jogo político ao arbitrar conflitos. O ministro André Mendonça destacou a fragilidade da candidatura, afirmando que a consideração de votos anulados “não lhes confere validade definitiva, mas preserva a possibilidade de adequação do resultado”. O ministro Dias Toffoli reforçou: “Mais do que nulos, esses votos são inexistentes e assim devem ser desconsiderados para efeito de contagem”.
Acompanharam a maioria os ministros Estella Aranha e Kassio Nunes Marques. Ficaram vencidos Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) ainda fará a retotalização, um ato meramente formal.
A virada de Ruas e a estratégia de campanha
O resultado surpreendeu as pesquisas eleitorais, que apontavam o ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) como favorito. Ao final do pleito, realizado no último domingo (4), Ruas conquistou 49,27% dos votos, contra 42,76% de Paes.
A vitória no primeiro round só foi possível porque os 274.411 votos de Garotinho (3,17% do total) foram desconsiderados. Com a redução do bolo de votos válidos, o percentual de Ruas ultrapassou a marca dos 50%.
“Não há hipótese para a Justiça Eleitoral que não seja interferir no jogo político, porque ela arbitra conflitos políticos”, afirmou o ministro Floriano de Azevedo Marques.
Desde o início da campanha, Ruas apostou em colar sua imagem à de Flávio Bolsonaro (PL) e em se apresentar como um jovem oriundo da periferia. Em resposta, a campanha de Paes tentou associar o candidato do PL à gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), da qual Ruas foi secretário das Cidades. Para fortalecer sua chapa, o ex-prefeito montou um arco de alianças com nove partidos, escalando a petista Benedita da Silva para o Senado e nomeando Jane Reis, irmã do bolsonarista Washington Reis, como vice.
O novo cenário político fluminense
A posse de Ruas no Palácio Guanabara representa uma mudança significativa no comando do estado, que operava sob interinidade desde a saída de Cláudio Castro, no fim de março. A decisão do TSE sela um capítulo de intensa instabilidade política e jurídica, validando uma estratégia que soube capitalizar o descontentamento com a gestão anterior e a força do eleitorado conservador.
A consolidação de Douglas Ruas no executivo fluminense não é apenas uma vitória pessoal de um até então desconhecido deputado estadual, mas a materialização de uma reconfiguração de poder no berço do bolsonarismo. O desafio agora será traduzir a capitalização do voto de protesto em governabilidade efetiva. Com o Judiciário definindo as regras do jogo, a pergunta que resta é se o novo governo terá a habilidade política para unir um estado que chegou às urnas profundamente fragmentado, ou se os próximos quatro anos serão apenas uma extensão das batalhas judiciais que o levaram ao poder.
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Autor: | Fonte: painelpolitico.com