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Plenário do Senado durante segunda reunião preparatória destinada à eleição do presidente do Senado Federal para 56ª Legislatura.Foto: Pedro França/Agência Senado

Arquivamento da “lava toga” mostra que na política brasileira só mudaram os personagens

Davi Alcolumbre “amarela” e arquiva CPI que nasceu morta, mas criou um tremendo mal estar durante o fim de semana entre o Judiciário e o Legislativo Vamos pular

Davi Alcolumbre “amarela” e arquiva CPI que nasceu morta, mas criou um tremendo mal estar durante o fim de semana entre o Judiciário e o Legislativo
Vamos pular

Por Alan Alex

O ano de 2019 vem sendo marcado por tragédias que dificilmente serão esquecidas por grande parte dos brasileiros. Tivemos o tsunami de lama em Brumadinho e quando começamos a nos recuperar veio a tragédia no Ninho do Urubu, que vitimou 10 pessoas, e chocou mais em função de que 6 das vítimas eram jovens adolescentes, que tiveram seus sonhos e vidas interrompidos pelo descaso que impera no Brasil. Para deixar nossos corações ainda mais entristecidos, perdemos nesta segunda-feira um dos mais queridos, polêmicos e descolados jornalistas do país, Ricardo Boechat, apresentador de programas na Band (rádio e TV), foi vitimado por um acidente de helicóptero. 2019 poderia ser cancelado.

Unanimidade

Boechat era, sem dúvida alguma, um dos maiores e mais respeitados nomes do jornalismo brasileiro, e vai fazer muita falta. Suas tiradas, comentários e opiniões sobre o cotidiano político eram ímpares.

Subiu no telhado

A turma que torcia pela “queda de Renan” porque ele representa a “velha política” levou mais um tombo nesta segunda-feira. O novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM) arquivou a CPI do Judiciário que havia sido gestada na semana passada e já contava com 27 assinaturas. Nesta segunda, Eduardo Gomes (MDB-TO), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Kátia Abreu (PDT-TO) retiraram suas assinaturas e Alcolumbre nem esperou qualquer tipo de manobra no sentido de permitir que novas fossem colhidas, já mandou para a gaveta. Nos bastidores, o requerimento havia causado desconforto a ministros e juízes, que reclamaram ser inconstitucional criar uma CPI “sem um objetivo específico”.

Justificou

Alcolumbre disse que, ao arquivar, seguiu o que manda o regimento. Questionado sobre o mal-estar com o outro Poder, ele evitou polemizar: — Não tinha o número necessário de assinaturas. Em relação ao mal-estar, eu acho que o Parlamento é um Poder e precisa estar em harmonia com o Judiciário, assim como com o Executivo. Nada mais justo que as instituições funcionem. O Parlamento tem de funcionar, o Executivo tem de funcionar, o Legislativo tem de funcionar.

Com isso

Bate-se com um prego enorme na tampa do caixão da CPI que já havia nascido natimorta, uma vez que grande parte do Congresso tem pendências de toda natureza junto à justiça. O medo do corporativismo do Judiciário falou mais alto e acabou com a festa da turma que já estava babando por atirar lama em algumas togas. Quando o ministro Gilmar Mendes começou a queimar em praça pública, a coisa esfriou. Resta saber se essa investida vai terminar por ai, ou se mais coisas vão vazar. É bom lembrar que o “vazador oficial” da República agora é ministro, e uma vaga ainda tem que ser aberta no Supremo.

 

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