Confúcio Moura defende cassação de médicos antivacina e critica descontinuidade de governos
Em discurso no Senado, o senador Confúcio Moura (MDB-RO) criticou a descontinuidade entre governos, defendeu a cassação de médicos antivacina e cobrou reforma no Orçamento federal, independentemente de quem vencer a eleição.

O senador Confúcio Moura (MDB-RO) discursou no Plenário do Senado Federal ao presidir o encerramento da sessão que debateu, ao longo de três sessões, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221, sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Antes de suspender a sessão deliberativa, Moura fez um pronunciamento sobre educação, saúde pública e o orçamento federal, elogiando o discurso anterior do senador Paulo Paim (PT-RS), único outro parlamentar presente no plenário.
A crítica à “descontinuidade dos governos”
Moura dedicou parte do discurso a criticar o que descreveu como um padrão recorrente na política brasileira, em todos os níveis de governo: a descontinuidade entre gestões.
“O que um faz, o outro desfaz! Isso produz ou provoca para o povo brasileiro um prejuízo muito grande, porque cada Presidente não faz só coisas ou tem ações ruins, tem muitas coisas boas. Mas, de repente, um entra com um pensamento político de oposição ou de contestação e esquece tudo aquilo, esquece tudo o que foi feito, retroage muitas vezes.”
Como exemplo, citou políticas de combate à fome e de ampliação do acesso à educação pública, que, segundo ele, avançaram em determinados governos federais e recuaram em outros — sem detalhar, no entanto, períodos ou gestões específicas além de menções genéricas ao próprio histórico político desde o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Educação como “nota única”
O senador relembrou que, em seu primeiro discurso no Senado, há quase oito anos, afirmara que seria “um Senador de uma nota só” em defesa da educação — foco que disse manter, mesmo ao abordar outros temas. Citou como referências pessoais o deputado estadual João de Abreu e o ex-prefeito e ex-deputado Hagahús Araújo, ambos ligados à região onde nasceu, no antigo norte de Goiás, hoje Tocantins, e defendeu que professores que atuam em escolas de regiões pobres ou de difícil acesso — como a Amazônia — recebam remuneração diferenciada, citando proposta nesse sentido atribuída ao ex-senador Cristovam Buarque.
A fala sobre vacinação
Em um dos trechos mais contundentes do discurso, Moura — que é médico — defendeu que profissionais de medicina contrários à vacinação sejam punidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM):
“Eu acho que o médico que hoje, por mais conservador que ele seja, abomina a vacina devia ser cassado pelo Conselho Federal de Medicina, deviam tomar o diploma dele. […] Esse cara hoje ser contra a vacina, o Conselho Federal de Medicina deve cassar o diploma dele, porque ele não pode ser médico! E a população brasileira tem que ficar alerta com esse tipo de médico, porque ele é um genocida.”
O senador associou a fala à queda nos índices de vacinação registrada, segundo ele, no governo anterior, e a esforços do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do presidente Lula para reverter o quadro. É uma posição pessoal do senador, não uma medida em tramitação ou decisão do CFM.
Orçamento federal, seja quem for o próximo presidente
Moura também afirmou que qualquer presidente eleito em 2026 — citando nominalmente o próprio Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos no 2º turno — terá de promover uma reforma no Orçamento federal, por considerar que a União não dispõe de recursos livres suficientes para investimentos. Disse que, com base em estudos feitos quando foi relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), havia à época cerca de R$ 235 bilhões disponíveis para toda a gama de despesas discricionárias do governo — de manutenção a investimentos —, valor que considerou insuficiente diante do tamanho do Orçamento federal.
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Autor: | Fonte: painelpolitico.com
