Flávio Bolsonaro busca Tarcísio e o Nordeste; Lula promete “mudar tudo” no 2º turno
Enquanto Flávio Bolsonaro se reúne com Tarcísio de Freitas para ampliar a vantagem no Sudeste, aliados de Lula admitem “avalanche” bolsonarista e prometem repen

A posição em primeiro lugar de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, lida por aliados como demonstração de força da direita, já começou a render apoios relevantes para o segundo turno. Do outro lado, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) amanheceu esta segunda-feira (5/10) sob o que assessores chamam de “avalanche” bolsonarista — e promete uma guinada de estratégia até 25 de outubro, data do segundo turno.
O que Flávio Bolsonaro está armando com Tarcísio
Se havia alguma dúvida sobre a disposição do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de entrar “de corpo e alma” na fase final da campanha bolsonarista, ela não existe mais. O apoio de Tarcísio é considerado fundamental para que Flávio Bolsonaro amplie sua vantagem no Sudeste, região que concentra o maior colégio eleitoral do país.
Nesta segunda, a equipe de Flávio já se reuniu para tratar da estratégia do segundo turno, e está prevista para a tarde uma reunião com Tarcísio — o próprio governador anunciou o compromisso no domingo (4), segundo auxiliares da campanha do PL ouvidos pelo site de notícias financeiras SpaceMoney. “A participação do Tarcísio na reta final do primeiro turno foi fundamental. Os petistas contavam que ele iria fazer corpo mole, mas não fez“, avalia um aliado do senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A equipe de Flávio também vai traçar uma estratégia para reduzir a diferença para Lula no Nordeste. No primeiro turno, o petista teve menos votos este ano do que em 2022: perdeu cerca de 258 mil votos na região — queda de quase 3% — na comparação com a eleição anterior. Em todo o país, Lula perdeu quase 3,4 milhões de votos em relação a 2022, enquanto Flávio Bolsonaro obteve cerca de 5 milhões de votos a mais do que seu pai naquela eleição.
“Teremos mais apoios em todo o país do que o presidente Lula. Estamos confiantes de que vamos ganhar a eleição no segundo turno”, diz o senador Rogério Marino (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.
A autocrítica da campanha de Lula
Depois do susto com a avanço de direita em governos estaduais e no Senado no primeiro turno, a equipe de Lula admitiu que a campanha do segundo turno terá de “mudar muito” para tentar reverter um resultado classificado internamente como “péssimo”. A sensação entre assessores presidenciais, segundo relatos obtidos pelo Painel Político, era a de quem foi atropelado por uma onda bolsonarista que não estava no radar da campanha petista.
“O que estamos assistindo é uma avalanche da direita. Péssimo para nós, não estávamos prevendo essa onda bolsonarista tão forte nesta reta final. Vamos ter de repensar tudo para o segundo turno para vencermos o bolsonarismo“, refletiu um líder da campanha de Lula na noite de domingo (4). A campanha petista ficou atônita não só com o avanço de Flávio Bolsonaro, mas também com a vitória da direita no Senado. Lula encolheu no Sudeste e perdeu votos até no Nordeste, região historicamente favorável ao PT. “Ninguém previu essa derrota, principalmente em Minas”, admitiu um conselheiro de Lula no estado, também sob reserva de identidade.
Nesta segunda, Lula reuniu sua equipe em Brasília para discutir a nova estratégia da reta final. Um dos focos será convencer quem se absteve — recorde no primeiro turno, com mais de 33 milhões de eleitores — a comparecer no segundo turno. Outra mudança prevista é falar mais sobre o que pode significar um quarto mandato de Lula do que insistir no discurso sobre o legado dos governos anteriores, que, segundo avaliação interna, não sensibilizou o eleitorado, especialmente o de centro.
“Faltou frente ampla no núcleo de decisão do governo. O resultado foi um governo de esquerda, que não conversou com o eleitor de centro, que agora deu o troco”, analisa um interlocutor do presidente.
Lula também vai buscar apoios no campo de centro — um dos fatores apontados internamente para a derrota no primeiro turno. Segundo essa leitura, o presidente não governou, nos últimos quatro anos, com a Frente Ampla que viabilizou sua eleição em 2022: nomeou ministros desse campo, mas não governou com o grupo.
Rejeição alta dos dois lados, estratégias opostas
Analistas ouvidos pelo Nexo Jornal observam que Flávio Bolsonaro e Lula já chegavam ao fim do primeiro turno como os candidatos mais rejeitados pelo eleitorado brasileiro, com índice de rejeição equivalente entre os dois, segundo pesquisa Datafolha (registro BR-08039/2026) divulgada em 2 de outubro — o percentual exato não constava do material consultado. Essa simetria na rejeição ajuda a explicar por que as duas campanhas já indicam que vão investir em ataques recíprocos: um cientista político ouvido pela publicação avaliou que a coordenação de Lula “vai ter que fazer uma campanha de ataque ao Bolsonaro e ao Flávio para tentar roubar voto”, enquanto outro analista apontou que o tema da segurança pública deve ganhar peso na disputa do segundo turno.
O resultado oficial do primeiro turno, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, deu a Flávio Bolsonaro 56.104.268 votos (47,03% dos votos válidos) contra 53.876.617 votos de Lula (45,16%) — uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos.
Entre os dois extremos — a confiança declarada pelo entorno de Flávio e a autocrítica pública dos aliados de Lula — fica claro que nenhuma das duas campanhas considera o resultado de domingo um indicativo seguro do que vem a seguir. As próximas três semanas devem ser definidas menos pelo que cada lado já tem garantido e mais pela disputa por quem conseguir corrigir mais rápido os próprios erros do primeiro turno.
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Autor: | Fonte: painelpolitico.com
