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Governistas queriam Glenn Greenwald depondo na Câmara, depois mudaram de ideia

O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) fez requerimento para que jornalista que vazou conversas da Lava Jato prestasse esclarecimentos. Após confusão, a votação foi adiada

O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) fez requerimento para que jornalista que vazou conversas da Lava Jato prestasse esclarecimentos. Após confusão, a votação foi adiada

Brasília — Nesta quarta-feira (12) durante sessão na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCM) o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) fez requerimento solicitando a presença do jornalista Glenn Greenwald, editor-chefe do site The Intercept Brasil, para prestar esclarecimentos sobre as conversas vazadas entre procuradores federais da força-tarefa da Lava Jato do MPF-PR e o então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba e atual ministro Sérgio Moro.

Segundo o requerimento, o site vazou “de forma indevida as informações privadas” entre os agentes públicos, que poderiam ter sido “extraídas e veiculadas ao arrepio da lei”. O requerimento também cita que o jornalista é estrangeiro e “possui relações íntimas com um parlamentar desta casa”. Glenn Greenwald é casado com o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), suplente de Jean Willys.

No último domingo (9) o site de Greenwald publicou trechos das conversas entre o procurador-chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol, e Sérgio Moro. Dois dias antes, a Polícia Federal afirmou que o celular do Ministro da Segurança Pública teria sido hackeado. Em nota à imprensa, Moro afirmou que “não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado” e lamentou a não-identificação da fonte dos vazamentos.

Reviravolta

Os deputados da base aliada na comissão não esperavam pela receptividade da oposição com a proposta, que se colocou favorável ao requerimento: “voto com o meu grande amigo Daniel Silveira!” ironizou a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC). Deputados da base se colocaram, então, contra o requerimento, alegando que a oposição queria trazer o jornalista para da voz e fazer palanque. Luís Miranda (DEM-DF) iria votar à favor, mas depois emendou: “se a esquerda gostou é porque é ruim”, e pediu a retirada da pauta. O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) fez uma contestação ao texto do requerimento, alegando que se estava imputando o crime à publicação, e não ao ato de hackear os dados. O requerente aproveitou para declarar que a matéria estava prejudicada, e os deputados da base passaram a fazer obstrução. A votação foi adiada.

 

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