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Medicamento de câncer reduz células infectadas por HIV em estudo

Venetoclax diminui células infectadas em macacos e é avaliado em pessoas com HIV após resultados com terapia combinada

Um medicamento usado no tratamento de câncer mostrou reduzir células infectadas por um vírus semelhante ao vírus da imunodeficiência humana (HIV) em testes com macacos. Os dados vêm de um estudo da Universidade Emory, nos Estados Unidos, publicado na revista Nature Microbiology na última quinta-feira (3/9).

O fármaco, venetoclax, foi testado em combinação com a terapia antirretroviral. O objetivo foi atingir o chamado reservatório viral, formado por células infectadas que permanecem no organismo mesmo durante o tratamento e dificultam a eliminação do vírus.

“Eliminar o reservatório viral é uma prioridade na busca pela cura do HIV”, explicou o pesquisador Mirko Paiardini, autor sênior do estudo, em comunicado.

Como o medicamento atua

O venetoclax bloqueia uma proteína chamada Bcl-2, ligada à sobrevivência celular. Essa mesma proteína também ajuda a manter vivas as células infectadas pelo HIV. Ao inibir a Bcl-2, o medicamento facilita a eliminação dessas células.

Nos experimentos, a combinação com a terapia antirretroviral reduziu mais rapidamente o número de células T CD4 infectadas quando comparada ao uso isolado do tratamento padrão. “Precisamos encontrar formas de eliminar essas células e evitar que o vírus volte a se multiplicar caso o tratamento seja interrompido”, disse o pesquisador Tomas Raul Wiche Salinas, primeiro autor do estudo.

O que é o HIV e qual a diferença para a aids?

– O vírus da imunodeficiência humana (HIV) é um microrganismo que ataca o sistema imunológico. Quando não é tratado, ele pode evoluir para a aids (síndrome da imunodeficiência adquirida), que representa o estágio mais avançado da infecção pelo HIV.
– Embora não exista a cura para a aids, o tratamento antirretroviral pode controlar a infecção, permitindo que pessoas vivendo com HIV tenham uma vida longa e saudável.
– O tratamento correto pode fazer com que o paciente atinja a carga viral indetectável para esse vírus, ou seja, tão baixa que não pode ser detectada por testes padrão. Nesse caso, a pessoa também não o transmite.
O HIV é transmitido principalmente através de fluidos corporais específicos, durante o sexo sem proteção, compartilhamento de seringas e de mãe para filho durante o parto, quando não for bem assistido.
– Beijos, suor, ou qualquer outra forma de contato íntimo, incluindo o sexo feito com preservativo, não transmite o HIV.
O SUS disponibiliza testes rápidos para o HIV e também o tratamento preventivo com a profilaxia pré-exposição (PrEP), com o uso de um remédio diário. Procure um serviço de saúde e informe-se para saber se você tem indicação para PrEP.

Resultados em modelo animal e próximos passos

Os testes foram feitos em macacos rhesus, frequentemente usados nesse tipo de pesquisa. Após a infecção, os animais receberam terapia antirretroviral isolada ou associada ao venetoclax.

Nos que receberam a combinação, os níveis de células infectadas permaneceram mais baixos por meses, mesmo após a interrupção do medicamento, com continuidade da terapia padrão. Os pesquisadores também avaliam se períodos mais longos de uso podem ampliar esse efeito.

Dois ensaios clínicos estão em andamento para testar o venetoclax em pessoas que vivem com HIV. A intenção é verificar segurança e eficácia do uso nesse contexto. Os autores destacam que os resultados ainda são iniciais e baseados em modelo animal. Mesmo assim, indicam uma estratégia possível para atingir um dos principais obstáculos no tratamento da infecção.

Autor: | Fonte: www.metropoles.com

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