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Quaest no Senado de Rondônia: líder perde fôlego e três candidatos brigam pela segunda vaga

Levantamento de agosto mostra Mariana Carvalho, Sílvia Cristina e Bruno Bolsonaro Scheid tecnicamente empatados com 10% e 11% cada, enquanto Fernando Máximo cai

Fernando Máximo (PL) ainda lidera a disputa pelo Senado em Rondônia, mas perdeu fôlego. É o que revela a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (26), que mostra o médico e deputado federal com 17% das intenções de voto — quatro pontos abaixo dos 21% registrados pelo Instituto Phoenix em meados de julho. Enquanto isso, a briga pela segunda vaga está tecnicamente empatada entre três candidatos: Sílvia Cristina (PP) e Bruno Scheid (PL), ambos com 11%, e Mariana Carvalho (União Brasil), com 10% — todos emptadados dentro da margem de erro de ±3,0 pontos percentuais do levantamento.

A pesquisa, realizada entre os dias 21 e 24 de agosto com 804 entrevistados em todo o estado, desenha um cenário de alta volatilidade para as duas vagas ao Senado. O dado mais expressivo não está entre os nomes que aparecem, mas entre os que não aparecem: 39% dos eleitores rondonienses estão indecisos ou declaram voto nulo/branco — o maior patamar de indefinição registrado entre os institutos que pesquisaram a disputa ao longo de 2026.

A matemática do empate técnico: por que a segunda vaga está aberta

A margem de erro de ±3,0 pontos percentuais da pesquisa Quaest significa que os percentuais reais de intenção de voto podem oscilar para cima ou para baixo em até três pontos. Na prática, isso coloca Sílvia Cristina (11%) e Bruno Scheid (11%) empatados com Mariana Carvalho (10%), já que os três percentuais se sobrepõem dentro do intervalo de confiança. Matematicamente, qualquer um dos três pode estar com 8% ou com 14% — uma diferença que, em uma eleição para duas vagas, é decisiva.

O empate técnico pela segunda vaga é o elemento mais relevante do levantamento. Enquanto Fernando Máximo mantém uma vantagem isolada na primeira posição, a disputa pelo segundo lugar é um campo minado. Sílvia Cristina, atual senadora e candidata à reeleição pelo PP, aparece com 11% — patamar que representa uma queda em relação aos 16,57% registrados pelo IHPEC em junho. Bruno Scheid (PL), por sua vez, saltou de patamares inferiores a 11%, beneficiando-se da reorganização do campo bolsonarista após a desistência de Confúcio Moura (MDB) em 31 de julho.

Mariana Carvalho, com 10%, está no mesmo patamar de julho — quando o Phoenix a registrava com 10,8%. A candidata do União Brasil não cresceu, mas também não caiu — o que, em um cenário de queda de Máximo e alta de Scheid, pode ser interpretado como estabilidade relativa.

“Eu acredito muito nessa política de ouvir. Quem mora aqui sabe exatamente o que precisa melhorar. Meu papel é escutar, entender essas necessidades e levar essas demandas para Brasília, buscando caminhos e recursos para transformar a realidade.”

— Mariana Carvalho, candidata ao Senado Federal (União Brasil)

A queda de Fernando Máximo: líder isolado, mas em retração

O dado que mais chama atenção na pesquisa Quaest é a trajetória descendente de Fernando Máximo. Em julho, o Instituto Phoenix o colocava com 21,3% das intenções de voto. Em agosto, a Quaest o registra com 17% — uma queda de quatro pontos percentuais em pouco mais de um mês. Ainda que Máximo mantenha uma vantagem de seis pontos sobre o segundo colocado, a retração indica que o campo bolsonarista em Rondônia não está consolidado em torno de um único nome.

A divisão do voto bolsonarista entre Máximo e Scheid — ambos do PL — é um dos fatores que explicam a queda. Scheid, que usa o sobrenome “Bolsonaro” na urna eletrônica, atrai uma fatia do eleitorado de direita que poderia, em outro cenário, migrar para Máximo. O problema para Scheid é que seu registro de candidatura está sob questionamento: o Ministério Público Eleitoral de Rondônia pediu a impugnação por uso indevido do sobrenome, já que não possui vínculo familiar com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Se a Justiça Eleitoral acatar o pedido, o sobrenome sai da urna — e boa parte do eleitorado que o apoia pode migrar para Máximo, revertendo a queda.

A queda de Máximo também pode ser lida como um efeito da campanha. Em julho, o deputado federal ainda era um nome relativamente novo no cenário majoritário estadual. À medida que a campanha avança e os adversários intensificam a exposição, o voto de intenção tende a se diluir. A pergunta é se Máximo consegue estancar a queda ou se a tendência de queda se acelerará nas próximas semanas.

A estratégia de Mariana Carvalho: rua como resposta ao empate

Um dia antes da divulgação da pesquisa Quaest, Mariana Carvalho intensificou sua campanha com uma agenda de rua na Zona Leste de Porto Velho. Acompanhada do candidato a deputado estadual Fernando Silva no bairro Marcos Freire e do candidato a deputado estadual Dr. Santana no Residencial Porto Madero 2, a ex-deputada federal ouviu demandas sobre saúde, infraestrutura, segurança e mobilidade.

A escolha dos bairros não é casual. Marcos Freire e Porto Madero 2 concentram eleitorado de perfil médio e médio-baixo, com histórico de demandas por investimentos públicos — exatamente o eleitorado que Mariana Carvalho tenta mobilizar com a promessa de destinação de recursos. Durante seus dois mandatos na Câmara dos Deputados, ela foi reconhecida como a parlamentar que mais destinou recursos para Porto Velho.

“Eu não quero fazer uma campanha distante das pessoas. Quero estar nas ruas, ouvir as famílias e construir junto. Porque é assim que a gente sabe onde precisa trabalhar e onde pode fazer a diferença. Eu já fiz muito por Rondônia e quero, no Senado, fazer ainda mais.”

— Mariana Carvalho, candidata ao Senado Federal (União Brasil)

A estratégia de rua, porém, enfrenta um desafio de escala. Com 39% de eleitores indecisos, a disputa não será decidida nos bairros da Zona Leste de Porto Velho, mas no interior do estado e nas regiões metropolitanas. Mariana Carvalho já demonstrou capacidade de atrair 263.522 votos em 2022 — a maior votação feminina para o Senado na história de Rondônia —, mas não se elegeu porque a vaga era única. Em 2026, com duas vagas, a matemática é diferente — mas a concorrência também.

O comparativo com pesquisas anteriores: uma linha de tendência incerta

Quando se cruza a Quaest de agosto com levantamentos anteriores, o quadro que emerge é de estabilidade relativa para Mariana Carvalho e de movimentação para os concorrentes.

Em julho, o Real Time Big Data (14-15/07, 1.600 entrevistados) mostrava Mariana com 12% — dois pontos acima do atual. Na ocasião, ela aparecia atrás de Fernando Máximo (19%), Sílvia Cristina (14%) e Confúcio Moura (13%). Já o Instituto Phoenix de 12 a 16 de julho a registrava com 10,8% — praticamente o mesmo patamar da Quaest.

O IHPEC de junho (11-24/06, 3.197 entrevistados) mostrava Mariana com 11,76%, atrás de Fernando Máximo (18,06%), Sílvia Cristina (16,57%) e Confúcio Moura (8,76%).

A conclusão que emerge do comparativo é que Mariana Carvalho oscila entre 10% e 12% há quatro meses. Ela não cresceu, mas também não desabou — enquanto Sílvia Cristina caiu de 16,57% (IHPEC, junho) para 11% (Quaest, agosto) e Fernando Máximo recuou de 21% (Phoenix, julho) para 17%. A estabilidade de Mariana, nesse contexto, pode ser lida como um sinal de que sua base eleitoral é fiel, mas limitada. O desafio é expandi-la.

O que está em jogo: duas vagas e 39% de indecisos

A eleição ao Senado em Rondônia em 2026 é atípica por dois motivos. Primeiro: serão eleitos dois senadores, diferentemente de 2022, quando apenas uma vaga estava em disputa. Segundo: o eleitorado está mais fragmentado do que nunca, com quatro candidatos tecnicamente embolados e quase 40% dos votos ainda em aberto.

Para Mariana Carvalho, o empate técnico pela segunda vaga é tanto uma oportunidade quanto uma ameaça. É uma oportunidade porque, com 39% de indecisos, há espaço para crescimento. É uma ameaça porque, se não conseguir se diferenciar de Sílvia Cristina e Bruno Bolsonaro Scheid nos próximos 40 dias, pode ver a segunda vaga escapar por poucos votos — como aconteceu em 2022, quando ficou a 29.874 votos de Jaime Bagattoli.

A convenção da Federação União Progressista, realizada em 3 de agosto, homologou Mariana como pré-candidata ao Senado ao lado de Sílvia Cristina — que, ironicamente, é também concorrente direta pela mesma vaga. A aliança com Hildon Chaves (candidato ao governo) busca transferir capital político, mas a federação exige coordenação em um cenário onde duas candidatas disputam o mesmo eleitorado.

A pesquisa Quaest deixa claro que a eleição ao Senado em Rondônia será decidida no detalhe. Fernando Máximo lidera, mas perde fôlego. A segunda vaga está em aberto, com três candidatos empatados tecnicamente. E quase 4 em cada 10 eleitores ainda não escolheram. Nos próximos 40 dias, a pergunta que vai definir o resultado não é quem tem mais votos hoje — é quem conseguirá converter indecisos em voto na urna. E se a história recente de Rondônia serve de parâmetro, a diferença entre a vitória e a derrota pode ser de menos de 30 mil votos.

A Quaest ouviu 804 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 21 e 24 de agosto de 2026. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

O levantamento foi registrado no TSE com os números RO-05711/2026 e BR-00490/2026.

Autor: | Fonte: painelpolitico.com

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