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Rondônia perde 33 pontos de vegetação nativa em 41 anos, aponta MapBiomas

Rondônia registrou a maior redução proporcional da vegetação nativa entre os estados brasileiros nos últimos 41 anos, segundo a nova Coleção 11 do MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira (12). O levantamento analisou imagens de satélite de 1985 a 2025 e mostra que a cobertura de vegetação nativa no estado caiu de 92% para 59% do território.

Na prática, Rondônia perdeu 33 pontos percentuais de participação da vegetação nativa em pouco mais de quatro décadas. O resultado coloca o estado no topo do ranking nacional de perda proporcional, à frente de Maranhão, Mato Grosso e Tocantins.

A situação de Rondônia contrasta com o cenário nacional. No Brasil, a vegetação nativa caiu de 79% para 65% do território entre 1985 e 2025, uma redução de 14 pontos percentuais. No mesmo período, a área ocupada pela agropecuária aumentou de 18% para 32% do território brasileiro.

Rondônia teve transformação acelerada

Os números mostram uma transformação particularmente intensa da paisagem rondoniense. A redução da vegetação nativa ocorreu principalmente em um período marcado pela expansão da fronteira agropecuária na Amazônia.

Em levantamentos anteriores do MapBiomas, a expansão das pastagens já aparecia como um dos principais elementos dessa transformação. Na série histórica até 2023, por exemplo, a área de pastagem em Rondônia havia passado de aproximadamente 6% para 38% do território estadual.

A nova Coleção 11 atualiza essa série até 2025 e amplia a possibilidade de analisar como cada município rondoniense mudou sua ocupação territorial ao longo de quatro décadas.

Agropecuária avança no Brasil

Em escala nacional, a agropecuária ocupava 150,2 milhões de hectares em 1985. Em 2025, chegou a 273,3 milhões de hectares.

As pastagens respondem por 165,6 milhões de hectares, enquanto a agricultura ocupa 66,5 milhões de hectares. A área agrícola cresceu 258% desde 1985, impulsionada principalmente pela expansão da soja.

O MapBiomas identificou ainda que, das áreas que mudaram de classe entre 1985 e 2025, 136 milhões de hectares correspondem à conversão de vegetação nativa para agropecuária. Na Amazônia, essa foi a principal transição observada no período.

Amazônia concentra uma das maiores transformações

A Amazônia perdeu aproximadamente 53,9 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2025, segundo os dados apresentados na divulgação da Coleção 11.

A conversão para atividades agropecuárias representa uma parcela significativa dessas mudanças. O levantamento aponta que, na Amazônia, a transformação de vegetação nativa em agropecuária respondeu por 55 milhões de hectares, equivalentes a 83,6% das áreas que mudaram de classe no bioma.

Impacto climático também preocupa

Além de mostrar a transformação da cobertura do solo, a Coleção 11 foi cruzada com dados do MapBiomas Atmosfera para avaliar os efeitos de eventos de El Niño.

Na Amazônia, durante os episódios de El Niño analisados, as áreas de agropecuária foram particularmente afetadas pela redução das chuvas. No evento de 2023/2024, essas áreas registraram uma redução de aproximadamente 178 milímetros de precipitação em relação à média histórica.

O estudo reforça a preocupação com a relação entre mudanças no uso da terra, disponibilidade de água e capacidade das regiões de enfrentar eventos climáticos extremos.

Rondônia no centro da mudança

O número mais expressivo para Rondônia é justamente a queda de 92% para 59% de vegetação nativa.

Isso significa que, em 1985, aproximadamente nove de cada dez partes do território estadual estavam classificadas como vegetação nativa. Quatro décadas depois, essa proporção caiu para pouco menos de seis em cada dez.

O MapBiomas ressalta que a perda de vegetação nativa não ocorreu de maneira uniforme pelo país. 25 estados e o Distrito Federal registraram redução, enquanto o Rio de Janeiro foi a única unidade da Federação a apresentar aumento, de 1 ponto percentual.

A Coleção 11 permite agora aprofundar a análise dentro de Rondônia, com dados disponíveis para os 52 municípios, possibilitando identificar quais cidades concentram as maiores áreas de vegetação nativa, pastagens, agricultura e outras formas de ocupação do território.

Fonte: MapBiomas — Coleção 11.

 

foto ilustrativa

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