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Série Dupla Identidade ganha nova temporada em 2015

 

Andréia Castro
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Um rosto bonito, simpatia, impressionantes olhos azuis e educação admirável. Eduardo Borges é o genro que qualquer sogra gostaria de ter. Envolvente e encantador, ele trabalha ajudando pessoas em crise em um disque-ajuda. Só tem um problema: Edu mata mulheres bonitas nas horas vagas. Interpretado pelo galã Bruno Gagliasso, o serial killer faz sucesso nas noites de sexta-feira da Globo na série Dupla Identidade. O seriado levanta a questão de que o perigo pode estar ao lado.

“Qualquer ator sonha em fazer um personagem assim”, disse Bruno ao Vídeo Show pouco antes de o programa estrear em setembro. Pode parecer papo de ator, mas Bruno está certo. Fazer um assassino em série rendeu fama, prestígio e muitos fãs aos sortudos que puderam interpretar o tipo. É o caso de Michael C. Hall, que coleciona prêmios por seu personagem mais famoso, Dexter, da série homônima, que ficou no ar entre 2006 e 2013 na TV norte-americana, uma das mais séries mais cultuadas dos últimos anos; e de Christian Bale que, muitos antes de se tornar o Batman ou ganhar o Oscar por O Lutador, interpretou o impagável serial killer yuppie Patrick Bateman em Psicopata Americano (2000).

Com segunda temporada garantida para o ano que vem, o seriado escrito por Glória Perez mostra as ações do serial killer Edu (Bruno Gagliasso), que se envolve com Ray (Débora Falabella) e é investigado pela psiquiatra forense Vera (Luana Piovani). Para interpretar Edu, o ator contou com a ajuda de psiquiatras e de documentos da polícia.

Mente atraente

A estudante de psicologia Aline Rebouças está gostando do trabalho de Bruno e já perdeu as contas de quantos filmes e séries sobre o tema possui em sua estante. “A vontade de estudar psicologia veio dos filmes. A mente dos psicopatas é muito atraente, ao mesmo tempo em que causa repulsa”, opina. O filme mais antigo da sua coleção é Silêncio dos Inocentes (1991), protagonizado por Anthony Hopkins (foto), que acabou levando o Oscar pelo papel.

Psicopata é cobiçado pelas mulheres

Desde setembro, a designer gráfica Fabrícia Soares não faz mais planos para sexta à noite. “Não perco um episódio. É sagrado”, diz. Segundo ela, Gagliasso consegue passar toda a loucura exigida pelo personagem, sem deixar de ser conquistador.

“Ele é um verdadeiro galã. Consegue fazer as pessoas virarem fãs de um assassino. Sou apaixonada pelo Edu”, completa.

No final do mês passado, o fascínio em torno do personagem de Gagliasso foi questionado pela colega de elenco do ator, Luana Piovani, que criou polêmica ao postar em seu perfil uma das imagens de fãs do serial killer interpretado por Bruno na série e criticá-la.

Repercussão

Tudo começou quando o ator encorajou as fãs do serial killer, postando em seu Instagram fotos de meninas vestidas com camisetas onde se pode ler “Me Pega, Edu” e “Me Amarro em Você”.

Na legenda da foto de Luana, a atriz referiu-se às garotas, auto-intituladas “eduzetes”, como malucas, usando as hashtags #deusnoslivre e #aff para comentar a foto.

Os seguidores da atriz também condenaram às moças ao tecer vários comentários como: “Sem noção essa mulherada. Olha a galera confundindo as coisas… e “O Edu é um matador de mulheres. Acho que elas não assistem ao mesmo programa que eu”.

“Parece distante da nossa realidade, mas não é”

Muito antes do bonitão Edu cair nas graças do público, outro ator já fazia bonito na telinha tupiniquim. Na pele de um serial killer mais sério, o apresentador, diretor e dramaturgo Miguel Falabella brilhou ao interpretar Donato Menezes na minissérie global Noivas de Copacabana (1992), num raro papel dramático do ator. Ambientado em 1989, o programa trazia Miguel como um homem obcecado por mulheres vestidas de noiva.

“Noivas de Copacabana foi uma das melhores produções da Globo e, sem dúvida, o melhor papel de Falabella na TV”, garante Renato Pádua, funcionário público aficionado pelo tema.

“Não me interesso só pelos assassinos em série da ficção, como Dupla Identidade, que está fazendo um ótimo trabalho, mas também com os do lado de cá, de carne de osso”, conta Renato.

Segundo ele, o assunto fascina porque “parece distante de nossa realidade, mas não é”. “Eles são inteligentes, amáveis, do tipo que ajuda uma velhinha a atravessar a rua. Podem ser nossos vizinhos, amigos do amigos ou até mesmo os gerentes do banco”, completa.

Autoridade no assunto

Ilana Casoy é consultora de Dupla Identidade. Curiosamente, Bruno Gagliasso interpreta um serial killer inspirado em um dos serial killers mais famosos dos EUA, Ted Bundy, cujo perfil é dissecado em Serial Killers: Louco ou Cruel?, escrito por Casoy.

A editora DarkSide® Books publica agora a edição definitiva do best-seller, num box junto com Serial Killers: Made in Brazil, outro que também figurou na lista dos mais vendidos.

Casoy conhece bem as mentes criminosas brasileiras. É criminóloga, pesquisadora e escritora especializada em violência e criminalidade. Ilana Casoy já publicou outros livros sobre crimes que ficaram famosos no Brasil, como A Prova é a Testemunha, relato inédito do Caso Nardoni, e O Quinto Mandamento – Caso de Polícia, sobre o assassinato do casal Richthofen pela própria filha, Suzane Richthofen.

Inspiração

A especialista em crimes – que já fez um estágio na polícia científica, quando acompanhou a perícia de homicídios – participou de um conselho para ajudar a construir a mente do célebre psicopata Dexter Morgan.

E, em breve, Ilana deve ter seu próprio programa de televisão: Crimes S/A, no qual apresentará aos espectadores o mundo do crime e as mentes que o habitam.

Em entrevista ao JBr., Casoy explica que o motivo de psicopatas causarem tanto interesse no público se deve ao fato de que “o ser humano tem um fascínio pelo mal, quer entender a sua própria maldade, a maldade do outro”.

A escritora conta também que a personagem de Luana Piovani, a investigadora Vera, “de certa forma mostra o meu trabalho para o grande público”.

Seus livros sempre figuram na lista dos mais vendidos. Por que as pessoas têm tanto fascínio pela mente dos serial killers?
O ser humano tem um fascínio pelo mal, quer entender a sua própria maldade, a maldade do outro, porque o que separa a gente dos assassinos não é exatamente a fantasia, mas o controle sobre ela. Não é crime você fantasiar matar alguém, mas é crime você levar isso a cabo.
Você participou da construção do personagem Dexter e também da série Dupla Identidade. Na sua opinião, por que esse tipo de programa ganha tantos fãs?
Fiz o perfil do Dexter, como serial killer organizado, para o lançamento da série no Brasil. Dupla Identidade me envolveu muito mais porque, de certa forma, mostra o meu trabalho para o grande público por meio da personagem Vera. É realmente um trabalho diferente, cheio de riscos, emoção e mistério, e atrai pelo próprio quebra-cabeças que é o ser humano.
É possível que os espectadores se identifiquem com os serial killers de algum modo?
Sim, é possível. Eles constroem um verniz de comportamento social para consumo externo, e se parecem a um de nós, se misturam conosco. Parte de sua vida, a que a gente vê, é exatamente como a vida de qualquer um, por isso é tão difícil identificá-los.
O segredo para retratar um personagem como esse é humanizá-lo ou é preciso distanciá-lo dos telespectadores?
Ele já é humano, apesar de cruel. A crueldade faz parte da humanidade desde que o mundo é mundo; o crime também. O segredo é como contar a história, de que maneira você retrata um crime real que todos conhecem, mas que ganha força no texto que você cria para alcançar seu leitor.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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