Transposição: MGI cria Coordenação Geral para supervisionar o trabalho da Comissão Especial dos Extintos Territórios
Essa novela da transposição não pode se transformar novamente em palanque eleitoral
Essa novela da transposição não pode se transformar novamente em palanque eleitoral
No dia 22 de abril deste ano foi divulgada na página do Ministério da Gestão e Inovação uma nota informativa sobre a nova estrutura da Diretoria de Serviços de Aposentados e Pensionistas e Órgãos Extintos. Segundo a nota, as Divisões de Gestão de Pessoal dos Ex-Territórios/DIGEPS de Rondônia, do Amapá e de Roraima foram elevadas ao status de Coordenações de Gestão de Pessoal dos ex-Territórios. E no âmbito da Secretaria de Relações do Trabalho foi criada uma Coordenação Geral de Extintos Territórios e Empregados Públicos que têm em suas atribuições a missão de definir diretrizes, regras, orientação normativa e supervisão do trabalho de responsabilidade da Comissão de Transposição/CEEXT.
Embora o MGI tenha suspendido a publicação de atas e portarias desde dezembro de 2025, o informe do dia 22/04 foi a primeira manifestação oficial do Ministério que esclarece acerca da nova estrutura mais voltada à gestão com uma instancia normativa e de supervisão à qual ficará submetida a Comissão.
Lamentavelmente, durante todos esses meses de paralisação das atas e portarias os servidores de nível auxiliar aguardam ansiosamente o retorno das publicações, para enfim terem o reposicionamento para o nível intermediário, levando em conta que o direito à correção adveio de Acórdão do Tribunal de Contas da União-TCU e teve o aval da CONJUR do Ministério da Gestão e Inovação.
Vale relembrar que em outubro de 2025 o presidente da Comissão acompanhado por um representante da Diretoria de Inativos e Pensionista-DECIPEX estiveram em Porto Velho, onde prestaram esclarecimentos sobre os procedimentos para operacionalizar a mudança de nível auxiliar para intermediário das categorias de telefonista, agente de portaria, motorista, auxiliar operacional, agente de serviços de engenharia e profissionais da saúde. Naquela ocasião os representantes do MGI em reunião com a presença de lideranças sindicais e do conjunto dos servidores dessas categorias firmaram o compromisso de agilizar o reposicionamento. E passados 6 meses da visita, apenas 75 servidores conseguiram a mudança para o nível intermediário.
Apesar de criada tardiamente, essa Coordenação-Geral de Extintos Territórios poderia ter atuado desde 2018 quando a Lei nº13.681unificou o regulamento das três emendas constitucionais, a 60/2009, a 79/2014 e a 98/2017. Os representantes sindicais e os próprios servidores hão de se lembrar que entre 2015 a 2020 havia um ciclo de trabalho da Comissão com reuniões abertas e contavam com a presença de integrantes da CEEXT, inclusive das Câmaras de julgamento e participação atuante de lideranças sindicais, servidores, parlamentares e da imprensa.
Nesses encontros trimestrais que eram chamados de “prestação de contas” da CEEXT eram apresentados relatórios com números de atas, portarias, inclusão em folha de pagamento e todo o aparato legal e normativo da transposição para demonstrar efetivamente a transparência do trabalho, dinâmica de gestão abandonada nas últimas gestões, em que deixaram brechas para comentários sobre falta de transparência, adoção de viés mais político do que técnico e privilégios a determinados grupos e categorias, o que sinalizava uma atuação seletiva implementada por alguns gestores, situação preocupante que demanda correção por parte dessa nova Coordenação Geral.
Portanto, o sinal vermelho foi aceso em dezembro de 2025 com a auditoria da CGU e houve quase um “choque” com a paralisação do trabalho da CEEXT por 4 meses, o que indica a necessidade de aplicação do chamado freio de arrumação para a correção, na hipótese de erros, omissões e exageros se comprovada a prática por gestores. A experiencia de governança no serviço público sinaliza incorreta a mistura de política com gestão administrativa e um órgão público não pode atuar como uma instancia autônoma e sem nenhuma supervisão ministerial.
Daqui em diante o trabalho da Comissão de Transposição precisa de acompanhamento mais atento por parte da estrutura do MGI, dos órgãos de controle e também, de servidores, lideranças sindicais e até da imprensa, para invocar à coordenadores, diretores e secretários do Ministério, a adoção de uma espécie de protocolo de gestão que inclua como prioridade a segurança, eficiência, previsibilidade, impessoalidade e transparência, que é o modelo adequado de governança que se espera dos órgãos da administração pública.
Nahoraonline
