NYT chama Lula de “estadista mais influente da América Latina”
Em reportagem sobre a reeleição, o jornal americano diz que nenhum político marcou tanto o Brasil e que a vitória de Lula interrompe uma onda de direita na regi

O jornal americano _The New York Times_ classificou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como “o estadista mais influente” da América Latina. A expressão está no título e no texto de uma reportagem sobre a reeleição, assinada pela jornalista Ana Ionova e publicada na seção de notícias internacionais. O título original é _“Latin America’s Most Influential Statesman Halts a Right-Wing Surge”_, ou seja, “O estadista mais influente da América Latina contém avanço da direita”.
“Nenhum político marcou mais o Brasil”
A reportagem abre com uma frase direta: “Nenhum político deixou uma marca maior no Brasil do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. O jornal lembra que, nos três primeiros mandatos, Lula ajudou a tirar milhões de pessoas da pobreza, defendeu os direitos dos trabalhadores e virou o rosto de uma onda de esquerda na região.
“No politician has made a bigger mark on Brazil than President Luiz Inácio Lula da Silva.”
Em português: “Nenhum político deixou uma marca maior no Brasil do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.”
O texto também destaca que é a primeira vez que os brasileiros dão um quarto mandato a um presidente.
A vitória que freou a direita
Segundo o _NYT_, Lula disputou a eleição numa região onde candidatos de direita tinham vencido as últimas sete disputas presidenciais. Ele derrotou Flávio Bolsonaro (PL), descrito como aliado do presidente americano Donald Trump, por 51,8% a 48,2%. O jornal observa que Lula, aos 80 anos, entrou no segundo turno como azarão, porque teve menos votos que o adversário no primeiro, e que a margem final foi cerca de o dobro da de 2022.
Para o jornal, o resultado reanimou uma esquerda que parecia “à beira da extinção” na América Latina. A reportagem também coloca Lula como contraponto a Washington: ele tem resistido às tarifas e sanções impostas por Trump ao Brasil. Flávio, por sua vez, prometia aderir a uma aliança de segurança regional liderada pelos EUA e oferecer os minerais críticos brasileiros para reduzir a dependência americana da China.
Prestígio lá fora, desgaste aqui dentro
O _NYT_ lembra que Lula projetou o Brasil como liderança em temas como fome, pobreza e clima, sobretudo na proteção da Amazônia, e o descreve como um diplomata hábil, que consolidou o país como “importante potência emergente do Sul Global”. A reportagem também cita que o ex-presidente americano Barack Obama já o chamou de “o político mais popular da Terra”.
O texto não é só elogio. O jornal registra que o desemprego caiu às menores taxas da história, mas que o endividamento das famílias e o custo de vida fizeram muitos brasileiros se sentirem mais pobres. Também lembra que Lula foi preso por corrupção e que o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações em 2021, diante de indícios de conluio entre juiz, promotores e polícia. Mesmo assim, segundo o jornal, muitos eleitores ainda associam Lula e o PT à corrupção.
Sobre Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, a reportagem informa que ele cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado depois de perder a eleição de 2022.
A cientista política Camila Rocha resumiu ao jornal o humor do eleitorado:
“It’s really about this profound sense of fatigue.”
Em português: “É realmente sobre essa profunda sensação de cansaço.”
O outro lado
O texto do _NYT_ registra a posição dos dois lados da campanha. Lula defendeu os resultados econômicos e disse que a volta dos Bolsonaro ameaçaria a democracia. Flávio apostou em propostas contra o crime organizado e em menos Estado e menos impostos, que atraíram trabalhadores autônomos e de aplicativos.
O título do _New York Times_ chama atenção, mas a reportagem é mais equilibrada do que o post que viralizou. Ela reconhece o peso histórico de Lula e o papel dele como contraponto a Trump na região, mas avisa que o quarto mandato começa com um país dividido e um Congresso que, segundo o jornal, vai desafiá-lo “a cada passo”. A própria Camila Rocha fecha a reportagem com uma ressalva: a eleição ainda marca, de certo modo, “o declínio de um certo tipo de esquerda”.
_🔊 Versão em áudio disponível no topo do post._
Autor: | Fonte: painelpolitico.com
