Coluna Sem Censura-Tiro no pé – David Nogueira

 
1. Tiro no pé

Uma coisa temos a admitir com serenidade: em todos os aglomerados humanos, com densidades diferentes de parvoíce, existe a presença indelével dos porras-loucas! Fala sério. Como explicar, dentro de uma racionalidade minimamente aceita, a atuação desses “revolucionários” islâmicos contra um jornaleco satírico francês, cujo “pecado” maior foi o de fazer algumas caricaturas das lideranças religiosas e de ícones da religiosidade? Particularmente, penso ser o deboche e a sátira ácida, em alguns temas, muito complicada e, por vezes, desrespeitosa. Não obstante, as respostas a esse tipo de “agressão” jamais poderão ser a violência sanguinária.

2. “Charlie Hebdo” é o nome
Charlie Hebdo é uma revista satírica, cujo início remonta aos anos setenta. Já teve o seu charme e público bem maiores. O número de revistas semanais, em momentos particulares, alcançou mais de 400 mil exemplares. Nos dias de hoje, sua tiragem não passava de 30 mil, algo bem fraco para os padrões europeus. Um dos seus temas prediletos era o religioso. Nesse campo, o Islã, mas não só ele, era duramente satirizado dentro das suas contradições e visões de mundo. Desde 2011, quando houve um atentado incendiário contra essa publicação, os principais responsáveis pela revista viviam sob proteção policial.

 

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3. Senso de humor restrito
O fato concreto nisso tudo é a constatação do pouco senso de humor dos radicais Islâmicos, particularmente, com temas relacionados à religião. Em 2006, a revista dinamarquesa Jyllands-Posten havia publicado uma série de charges envolvendo temas religiosos Islâmicos e isso provocou um grande rebuliço e graves protestos de pessoas importantes do mundo Árabe. Essa revista francesa, não só republicou as charges, como “aprofundou” a temática… Como pode se imaginar, os risos não foram muito bem aceitos e as reações irracionais… aconteceram!

4. Por um acaso
Estou a ler um livro de um escritor português chamado José Rodrigues dos Santos, cujo título é “Fúria Divina”, publicado pela editora Gradiva. Trata-se de um romance de ficção, o qual versa sobre a possibilidade dos grupos terroristas islâmicos virem a construir uma arma atômica e detonarem-na numa grande cidade do mundo ocidental. Nesse caso, o alvo seria a Península Ibérica, por razões de posse históricas (questionáveis) e divinas. É uma narrativa rápida e empolgante. O que me chamou a atenção, contudo, foram as informações sobre coisas que eu não fazia a menor idéia. Refiro-me, especificamente, àquelas relacionadas ao mundo Islâmico, à visão de mundo e ao modo como a religião entra no seu dia a dia.

5. Consequências
Esse atentado terá desdobramentos sociais e políticos graves em toda a Europa. Nas disputas eleitorais recentes, os partidos de direita e de ultra-direita têm feito discursos xenófobos perigosos. Independentemente de tal insanidade e esquecimento histórico dos líderes, a representatividade desses partidos tem aumentado e hoje já são uma força considerável. Ao partirem para a violência sanguinária, alguns defensores das causas Islâmicas se apresentam como terroristas apenas e não como defensores de uma causa justa e, no caso, divina . A opinião pública mundial não aceita isso como sendo algo natural. Fortalecendo o discurso da direita europeia radical, os terroristas não ajudam na causa Islâmica e prejudicam as discussões de convivência pacífica em todo o mundo. Foi um tiro no pé!
Cá entre nós, tenho certeza que Alá não foi consutado!

1 comentário

  1. Luiz Cláudio

    Isso tudo é uma loucura total.
    Esse povo pensa que pode resolver tudo com bombas e mortes! É o fim. Estamos indo para trás como civilização.
    Texto interessante!

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